Saúde e Bem-Estar

Crianças com o prato vazio

Jennifer Koppe
02/01/2006 01:50
jenniferk@gazetadopovo.com.br
Pesquisas mais recentes afirmam que a população brasileira está engordando, mas o problema não atinge apenas aos adultos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, existem cerca de 6,7 milhões de crianças no país com problemas de sobrepeso e obesidade.
Mas enquanto uma parcela dessa garotada se entrega à vida sedentária, aos refrigerantes e à batata frita, outras começam desde cedo a se preocupar com os números da balança. Embora elas ainda estejam curtindo a infância, já querem se assemelhar às modelos das capas de revista e das passarelas. Para isso, não medem esforços. Além da escova no cabelo, da maquilagem e do tamanco de salto alto, ainda se preocupam com a alimentação. Para não “engordar”, inventam dietas restritivas, que nesta fase da vida, podem causar problemas de saúde e de crescimento.
Giovana Godói, 9 anos, sempre foi magra, mas quando se olha no espelho, enxerga pneuzinhos onde eles não existem. A mãe, a fotógrafa e empresária Carolina Godói, não sabe mais o que fazer com a filha, que precisa complementar a alimentação com suplementos e vitaminas. “Ela já teve anemia e o seu ritmo de crescimento diminuiu. Não acho errado que ela seja vaidosa, mas brigo para ela ser mais criança, brincar na rua e subir em árvores. O que a mídia faz é muito cruel, o atual padrão de beleza é irreal”, acredita Carolina.
Para a psicóloga e coordenadora do Ambulatório de Transtornos Alimentares e Obesidade da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), Denise Cerqueira Heller, a publicidade é um dos vilões, mas é o descaso dos pais que mais influencia o comportamento dos filhos. “Este ano, já atendi três casos de crianças de 8 anos que apresentavam anorexia nervosa. A família não pode ter medo de se impor diante dos filhos. Precisa obrigar a comer, estabelecer limites e acompanhar o que fazem e o que assistem na televisão”, explica.
A nutricionista e professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Helena Simonard Loureiro, aponta que uma menina da idade da Giovana precisa consumir em torno de 1,8 mil calorias por dia, fracionadas em seis refeições diárias para que o organismo não passe longos períodos sem se alimentar. “Só assim ela pode crescer e se desenvolver com saúde, evitando doenças que podem surgir a longo prazo”, avisa.
Além da anemia, crianças que se submetem a dietas restritivas podem sofrer com a falta de resistência do sistema imunológico, dificuldades de concentração, cicatrização deficiente de feridas e problemas de crescimento. Também são fortes candidatas a desenvolver anorexia, bulimia e outros transtornos emocionais.
Serviço: Denise Cerqueira Leite Heller, psicóloga e coordenadora do Ambulatório de Transtornos Alimentares e Obesidade da UTP, fone (41) 3243-5883 / Ana Paula Jenzura, nutricionista do Hospital Universitário Cajuru (41) 3271-3000 / Helena Maria Simonard Loureiro, coordenadora do Curso de Nutrição da PUCPR, (41) 3271-1453.