Não é de hoje que os jovens são constantes alvos de imagens pré-concebidas de rebeldia e de insinuações sobre seu comportamento “rebelde” e “desobediente”. A perda da inocência é um processo natural, já que as crianças têm de se transformar em adultos e questionar e contrariar faz parte. Para muitos pais uma luz vermelha acende nessa hora: os “rebeldes sem causa” que não receberam limites na infância podem estar prestes a entrar em alguma encrenca. “Há pais que se perderam na prática e deixaram as crianças decidir sobre questões que elas não estão aptas. O resultado são crianças que mandam e pais que perdem a função de orientar. Daí surgem discrepâncias do tipo ‘prefiro que fume maconha dentro de casa do que na rua’. Isso é uma bobagem e induz a um comportamento infrator”, comenta Paula Inez Cunha Gomide, doutora em Psicologia e assessora do governo do estado para assuntos sobre adolescentes em conflito com a lei.
Muitos desses adolescentes são filhos de pais de uma geração que exacerbou sua relação com a liberdade, e que agora, segundo Paula, não conseguem imprimir regras para os próprios rebentos. “É a história do filho de 13 anos que vai a uma festa e o pai pede que ele não beba. Mas como, se ele não tem medidas? O pai quer exercer um poder que nunca teve.”
Diálogo
É na infância que se constrói a base de uma vida adulta feliz. De acordo com Luci Pfifer, médica e presidente do Departamento Científico de Segurança da Criança e Adolescente da Sociedade Paranaense de Pediatria, até os 8 anos, a criança aprende os valores morais, baseando-se no que os pais dizem. Depois dessa idade, o aprendizado se dá com o todo o meio. “Até o fim da adolescência, a personalidade é construída. E para isso o jovem vai questionar os valores que aprendeu. Mas se não há limites, os pais falharam e vão receber questionamento abusivo”, comenta. “Muitas vezes você conversa com os pais de um adolescente problemático e ouve ‘mas eu sempre dei tudo a esse menino’, enquanto que o filho diz ‘eu só queria você perto de mim’. A agressividade pode conter um pedido de ajuda. Se queremos ter filhos, temos de ter tempo para ouvi-los.”
O diálogo é a base do relacionamento de Pedro Monteiro, de 14 anos, a mãe Sílvia e o padrasto Luiz Pazello. “E isso é construído diariamente, não acontece da noite para o dia. Intimidade e confiança são conquistadas e não impostas”, comenta Pazello. A mãe deixa claro que não existem assuntos proibidos em casa. “Somos liberais, mas temos nossos valores. E ele sabe o que é certo e errado. Mas se tiver um problema ou uma dúvida, sabe que pode falar conosco.”
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