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Para pais e mães que assistiram ao filme Ray, a cinebiografia do pioneiro da soul music Ray Charles, uma cena de sua infância marcou: a morte acidental do irmão, por afogamento, em uma tina.
O drama do famoso cantor repete-se em milhares de outras famílias, já que o afogamento é a segunda causa de morte de 1 a 14 anos no Brasil, atrás dos acidentes de trânsito. “Para cada morte por afogamento, seis outras crianças (quase 10 mil) são hospitalizadas. Aproximadamente 20% destas que sobrevivem sofrem seqüelas neurológicas severas”, informa o cirurgião-pediátrico Marcelo Ribas Alves.
A esmagadora maioria desses e outros tipos de acidentes poderia ser evitada com a adoção de medidas preventivas, algo que não faz parte da cultura do brasileiro. “Na praia é comum o pai estar bebendo, a mãe tomando sol de costas e a criança sozinha na água”, descreve a coordenadora da ONG Criança Segura, Alessandra Françóia.
E as estatísticas sobem nos fins de semana e férias. “A tendência nesses momentos é de relaxar. Não dá para tirar férias das funções de pai e mãe”, alerta Alessandra. A observação constante das crianças por um adulto é a principal forma de prevenção. Além disso, mudanças no ambiente que dificultem o acesso ao perigo e o uso de equipamentos de segurança são atitudes que reduzem riscos.
Na casa da pequena Maria Fernanda, 5 anos, segurança é lei depois que os pais fizeram um treinamento na Criança Segura. “Mudou a nossa visão da casa”, conta a assistente administrativa Lucilene Arruda da Silva, 32. As tomadas são protegidas, os remédios e produtos de limpeza ficam fora do alcance e a cozinha é território proibido quando o fogão está aceso.
A bicicleta que o Papai Noel trouxe há dois anos já veio com capacete, joelheiras e cotoveleiras. E os cuidados se estendem às férias. A família procura não ir a praias muito cheias e a piscina, que só é permitida com supervisão, permanece desmontada quando não está em uso.
Para quem acha que cuidados desse tipo beiram a neurose, Alessandra lembra que, sem eles, a preocupação é bem maior, o que pode mesmo acabar virando paranóia.
Serviço: Criança Segura, fone (41) 3023-7070, site www.criancasegura.org.br.
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