Saúde e Bem-Estar

Desmontando armadilhas

Adriano Justino
19/08/2007 22:48
• Em uma separação amigável, fica mais fácil para os pais, em conjunto, tomar decisões em prol do bem-estar dos filhos. Mas quando uma das partes – ou as duas – está magoada e fragilizada pode tomar atitudes prejudiciais para as crianças – seja de caso pensado ou inconscientemente.
• Denegrir a imagem do outro é, normalmente, a primeira delas. “A parte mais difícil é fazer com que a briga não afete no contato ou na imagem do pai ou da mãe”, afirma a psicóloga Juliane Kravitz.
• O psicólogo Marcos Meier explica que a imagem do pai é um dos fatores de construção do superego, instância psíquica responsável pela autocensura, autocontrole e segurança emocional. “Se a mãe fala mal do pai, destrói a imagem paterna e a criança não constrói corretamente seu superego. A conseqüência é uma criança frágil emocionalmente, dependente da mãe, que não aceita desafios e tem problemas com autoridade.”
• O contrário também é prejudicial: quando o pai fala mal da mãe, a criança terá problemas afetivos. “É aquela criança que não aceita ser tocada, tem sua relação com o afeto e com o carinho destruída.” A saída – por mais difícil que seja – é lembrar que os problemas existem entre o casal, mas não devem afetar a relação de pai e mãe com a criança e falar para ela dos pontos positivos do ex-cônjuge. “Se for o caso, no final da adolescência – lá pelos 19, 20 anos – é o melhor momento para contar a verdade ao filho.”
• Chamar o filho como aliado contra o outro também deve ser evitado. “Faz um mal enorme e é injusto, o filho não tem nada a ver com isso”, diz Meier.
• Outra “tentação” é compensar o sofrimento do filho com presentes ou passeios. “Ao ver a dor da criança, é preciso acolhê-la. Abrace, deixe-a chorar, diga ‘está difícil, né?’. Quando os pais tentam ‘trocar’ o sofrimento por presentes, na cabeça da criança, passa que eles não entendem o que está acontecendo com ela”, explica o psicólogo.
• Nesse momento, é bom fazer juntos coisas que abram espaço para uma conversa. Brincar, jogar bola ou um jogo de tabuleiro dão oportunidade a momentos de troca. Tevê, computador e videogame não.
• Outra maneira de “compensar” a criança é mimá-la. “A criança não tem limite, vai ocupando espaço. É importante que o espaço que é dado a ela não seja excessivo”, diz Juliane.
• Quando o filho usa a situação para agredir um dos pais, a melhor atitude é desmontar a chantagem, com firmeza. “Isso já está definido e não tem nada a ver com arrumar seu quarto”, exemplifica Meier.
• Não caia na armadilha de “provar seu amor” para a criança. Não entre em competição com o ex-cônjuge para ver quem dá o melhor presente, por exemplo. (EB)
Serviço: Marcos Meier (psicólogo), site www.marcosmeier.com.br / Juliane Kravitz (psicóloga), fone (41) 3252-3622