É uma maneira de educar as crianças com respeito, sem qualquer tipo de violência e que mantenha a coerência. Por exemplo: se eu quero que o meu filho saiba tratar bem as pessoas, eu mesma preciso tratá-las bem. Se eu não der o exemplo, se eu não agir de maneira positiva, serei incoerente. Da mesma maneira que eu não tenho como ensiná-lo a não bater nos amiguinhos, se eu bato nele. Não tem lógica.
, escrito em parceria com a neurocientista Andréia C. K. Mortensen. O workshop acontece às 19h30 no Teatro A Fábrika, no Alto da XV.
Ligia é bióloga, mestre em Psicobiologia, doutora em Farmacologia e pesquisadora de assistência ao parto, violência obstétrica e medicalização da infância e do corpo feminino. Ela também é mãe da Clara, de 4 anos, e conhecida pelo blog Cientista que Virou Mãe, que existe há três anos e conta com mais de 3 milhões de acessos.
No livro, as autoras falam sobre como lidar com as birras e explicam o que é a disciplina positiva e os benefícios de criar os filhos na base do diálogo, sem usar a violência.
A seguir, confira entrevista com a autora:
O que é disciplina positiva?
É uma maneira de educar as crianças com respeito, sem qualquer tipo de violência e que mantenha a coerência. Por exemplo: se eu quero que o meu filho saiba tratar bem as pessoas, eu mesma preciso tratá-las bem. Se eu não der o exemplo, se eu não agir de maneira positiva, serei incoerente. Da mesma maneira que eu não tenho como ensiná-lo a não bater nos amiguinhos, se eu bato nele. Não tem lógica.
É uma maneira de educar as crianças com respeito, sem qualquer tipo de violência e que mantenha a coerência. Por exemplo: se eu quero que o meu filho saiba tratar bem as pessoas, eu mesma preciso tratá-las bem. Se eu não der o exemplo, se eu não agir de maneira positiva, serei incoerente. Da mesma maneira que eu não tenho como ensiná-lo a não bater nos amiguinhos, se eu bato nele. Não tem lógica.
Precisamos mudar a nossa compreensão do que é a infância. As crianças entendem tudo o que ensinamos, desde que faça sentido a elas. Mas são os adultos que muitas vezes têm preguiça de ensinar. Dizer para ele não atravessar a rua simplesmente porque eu não quero, não é ensiná-lo. Eu preciso que ele compreenda os motivos.
Como surgiu a ideia de escrever um livro sobre o assunto?
A violência tem sido o meu objeto de estudo há algum tempo e no blog tenho publicado vários textos sobre o assunto. Há algum tempo atrás, eu e a Andreia traduzimos vários artigos, publicados há cerca de 20 anos, sobre os malefícios causados pelas palmadas. Quando estes textos foram publicados no blog, causaram um alvoroço. Percebemos que é um assunto que precisa ser discutido e que ainda gera muitas dúvidas.
Como o livro pode ajudar os pais a mudar a forma de criar os filhos?
Além de analisarmos e “traduzirmos” estes artigos científicos para uma linguagem mais acessível, conversamos com dezenas de mães que participam de grupos e fóruns na internet sobre o assunto. Muitas já chegaram a bater nos filhos, mas conseguiram encontrar alternativas não violentas para educá-los. Nós então compilamos os depoimentos e as dicas destas mães. Sabemos que muitas querem encontrar um caminho diferente, mas não sabem como encontrá-lo.
Coincidentemente, o livro foi lançado na semana em que a Lei do Menino Bernardo foi aprovada. Não acredito que leis como essa sejam suficientes para resolver o problema, mas o mais importante é que ela incentiva o discussão do tema.
Muitos pais ainda acreditam que uma palmadinha de vez em quando é importante e não faz mal? Como mudar a opinião dessas pessoas?
Não há justificativa que sustente o mito de que bater é necessário. Ouço muito as pessoas argumentarem que elas apanharam na infância e hoje são pessoas boas. Mas provavelmente elas seriam pessoas ainda melhores, pessoas que não incentivam a violência, se não tivessem apanhado. Bater em uma criança não faz só mal a ela, faz mal aos pais também. É possível ensinar verdadeiramente as coisas de forma mais carinhosa e sem agressão.
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