Saúde e Bem-Estar

É importante que a criança tenha tempo

Adriano Justino
09/10/2006 02:39
“Quanto menor a criança, menos atividades fixas ela deve ter”, afirma a pediatra Luci Pfeiffer. “Até os 3, 4 anos, ela necessita formar imagem de seu núcleo familiar e o que ela representa nesse grupo.” Os pais, diz, precisam se preocupar em ter um espaço em suas vidas para suas crianças.
“É preciso pensar em suas prioridades. A louça pode esperar na pia, o filho precisa daquela hora sagrada para conversar, jogar, contar e ouvir histórias”, concorda a psicopedagoga Úrsula Mariane Simons.
Quando tudo é programado, formam-se “robozinhos”. No lugar das mil aulas, correr, brincar, subir em árvores desenvolve as capacidades motoras dos pequenos. Para a pediatra, os pais devem se preocupar quando a escola se propõe a alfabetizar as crianças aos 3, 4 anos, como vem ocorrendo. “Toda proposta muito rígida para crianças pequenas deve ser bem analisada.”
É só depois dos 4 ou 5 anos que a criança tem a capacidade de socialização. E mesmo a partir dessa fase, “não se pode preencher o tempo todo das crianças como os adultos fazem”. Isso até a adolescência. Ou será que mesmo o adulto não gosta de ter seu tempo livre, de fazer nada?
“A criança precisa de tempo para criar suas próprias expectativas. Tem muito que aprender a partir de suas idéias e não só o que vem pronto, o que recebe em série”, diz Luci.
O importante ao decidir por uma atividade além da escola é ouvir o que a criança tem a dizer. “As maiores já têm condições disso. Daí, é possível escolher uma ou duas de maior importância para ela e não aquilo que é o sonho dos pais. A criança tem muito tempo para aprender, é preciso dar a ela a oportunidade de questionar seus talentos.”
É claro que o estímulo deve existir, mas também não pode transformar-se no objetivo da relação entre pais e filhos. “Uma relação de amor e carinho é a base de tudo”, reforça a pediatra.