Saúde e Bem-Estar
Vemos hoje na mídia, na política e na sociedade organizada uma soma de esforços no sentido de incutir uma conduta ética na população. Esta palavra, que tanto vem aparecendo nos noticiários, já foi um dia algo natural, relativa ao caráter, algo impregnado na pessoa honrada.
Quem nunca ouviu uma pessoa com mais idade contar que os grandes contratos se faziam através da palavra dada, ou ainda do “olho no olho”, como diziam os antigos? E onde foi parar tudo isso nos dias de hoje?
A palavra já não serve, o olhar dissimula, não há pudor em mentir e enganar. A confiança necessita de papéis registrados e de preferência revisados por um bom advogado, o que nem sempre é suficiente. Parece que houve uma gigantesca inversão de valores, em que o honesto é o fraco, e o esperto é o que sempre se dá bem.
E por onde recomeçar a incluir a ética no cotidiano? Poderíamos pensar em olhar com um pouco mais de cuidado para estas novas gerações pelas quais somos responsáveis, e favorecer o gosto pela cordialidade, pela generosidade e pela honestidade, simplesmente porque sim.
Neste caso, não se pode pensar em melhorar as gerações futuras isentando-nos de melhorar a nossa. É preciso começar agora, no meio do caminho, afinal, um par de olhinhos está sempre nos observando.
Como podemos dar noção da verdade se volta e meia “precisamos” contar uma “mentirinha” inofensiva, ou avançar um sinal porque estamos com pressa, ou quando somos grosseiros porque o outro é impertinente, ou ainda nos permitimos “pequenas” fofocas e até alguns palavrões movidos pela emoção do momento.
Não gostamos de ver a irritação em nossos filhos quando na maioria das vezes somos nós os impacientes. Pais que trabalham exageradamente com vistas a ganhar sempre mais, passam aos filhos a informação de que o consumo é melhor do que estar em família, mesmo que o discurso seja o oposto.
Gostaríamos que nossas crianças fossem solidárias, mas elas pouco ou nunca nos presenciam ajudando alguém, efetivamente. Queremos preparar nossos filhos para a vida, mas, todas as vezes que passamos por sofrimentos ou por dificuldades, ocultamos deles com a desculpa de que não devem sofrer.
Exigimos de nossos filhos o cumprimento responsável dos deveres, mas vivemos reclamando do trabalho e dos afazeres domésticos, sem falar do chefe.
Desejamos que nossos filhos leiam e estudem quando nosso repertório limita-se a repassar as manchetes dos jornais ou revistas.
Será que com o nosso proceder diário, mostramos aos filhos, com a devida sensatez, as diferenças gritantes que há entre o certo e o errado, o verdadeiro e o falso, o fato e a opinião, o relativo e o absoluto e eterno e o transitório?
Afinal, sabe-se que as crianças e os adolescentes imitam, muitas vezes inconscientemente, os adultos com quem convivem regularmente, porque estes lhes servem de modelo. E obviamente que a au sência de modelos sólidos faz com que ídolos externos ocupem o lugar de admiração dos pais.
É nosso papel de protagonistas não dar uma noção pobre e genérica de caráter, não podemos ser “relativamente” bons, legitimando o bom e velho “jeitinho”. Devemos deixar marcas suficientemente fortes nos filhos para não torná-los vulneráveis à primeira investida enganosa do mundo.
Pode-se pensar que idealizamos pais perfeitos com condutas irretocáveis. Não se trata disso. Trata-se de mostrar aos filhos o constante esforço na busca de atitudes coerentes e éticas.
Sabe-se que os pais são os responsáveis pela forma profunda e, até certo ponto definitiva, da formação da consciência dos filhos. Esta ética, a que chamamos interna, surge nos primeiros anos de vida.
A criança, por sua vez, só compreende as realidades quando estas se mostram nítidas. E essa nitidez entre o bem e o mal é que vai orientá-la para o resto de seus dias.
E é deste modo, através da atitude e das ações, que um pai diz ao filho: “É assim que nós, adultos, devemos nos comportar no mundo, mesmo que isto custe, pois esta é a forma correta e honrada”.
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