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Lembra quando as pesquisas escolares eram feitas naqueles deliciosos livrões, que pareciam conter todo o conhecimento do mundo? Era só pensar em um tema e ele estava lá, na enciclopédia. Na era da informação rápida da internet, até essa palavra parece fora de moda.
Mas não é bem assim. A Barsa – principal título do Brasil e da América Latina – comemora o faturamento triplicado nos últimos cinco anos, depois de amargar uma queda de 70% nas vendas em 1995. E especialistas na área de educação defendem o uso desses títulos pelas crianças em idade escolar.
Os motivos são diversos. Para Joseph Razouk, gerente editorial da Editora Positivo Sistemas de Ensino, nenhuma mídia que chega como novidade no meio educacional substitui outra, mas vem para somar valor. O desafio para pais e educadores é justamente ensinar o equilíbrio entre os diferentes meios de informação. “Não se pode negar a tradição por causa da modernidade. O aluno precisa e vai precisar sempre ter acesso a livros”, afirma ele, que é formado em Letras e faz mestrado em Educação.
A pedagoga Elisa Dalla Bona, mestre em Educação e professora da UFPR, vê internet e enciclopédias como métodos de pesquisa complementares. “Na internet, é possível desdobrar um assunto em milhões, mas é sempre mais superficial. Para uma reflexão mais aprofundada, o livro é necessário.”
O papel favorece pesquisas mais longas porque é mais agradável de ler. “Imagina ler 50 páginas na tela do computador? É impossível, queima os olhos. Com o livro, dá para se envolver por horas”, diz Elisa. Além disso, a pesquisa no papel favorece a intimidade com os livros, coisa que qualquer pai adoraria despertar em seus filhos.
Confiabilidade é outro ponto forte do livro. “A enciclopédia em papel é de mais difícil atualização, mas permite que sejam filtradas com maior rigor as informações que, na internet, não passam por análise e verificação de veracidade”, lembra a diretora da área de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Marta Morais da Costa. Como pontos favoráveis ao meio eletrônico, ela destaca a agilidade – que permite mais fácil localização das informações – e sobretudo a atualização permanente e rápida.
Razouk não acha que as enciclopédias envelheçam tão rapidamente. “Os conteúdos conceituais não mudam de um ano para o outro, nem de um século para o outro. O que muda é como esse conteúdo está vinculado ao cotidiano do aluno. E isso se encontra na rede.” De qualquer forma, restringir-se a apenas um meio pode empobrecer a pesquisa. “A riqueza está na diversidade de linguagens”, lembra Razouk.
Serviço: Elisa Dalla Bona (pedagoga), fone (41) 3360-5149 / Marta Morais da Costa (diretora da área de Letras da PUCPR), fone (41) 3271-2145, e-mail m.costa@pucpr.br.
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