Saúde e Bem-Estar

Então tá combinado!

Érika Busani
26/02/2006 21:28
erikab@gazetadopovo.com.br
Cena 1: o menino de 3 anos pergunta para a mãe se pode comer um chocolate 5 minutos antes do jantar. “Não!”, responde a mãe, enfaticamente. O pequeno cai no choro e as tentativas de acalmá-lo só pioram a situação.
Cena 2: o menino de 3 anos pergunta para a mãe se pode comer um chocolate 5 minutos antes do jantar. “Agora não, filho. Daqui a pouco vamos jantar e é importante que você coma bem para crescer e ficar forte. Depois do jantar, você pode comer um pedacinho, combinado?”, diz a mãe. “Combinado”, responde a criança.
Nem sempre é tão simples, mas o “combinado”, palavra da moda quando se trata de educação, é uma espécie de “contrato” feito entre pais e filhos – ou professora e alunos – que envolve um acordo entre as partes antes do conflito, no formato mais simples, e, no mais “elaborado”, também uma conseqüência caso aquilo que foi estabelecido não seja cumprido. Conforme mães e especialistas, costuma funcionar. “Crianças gostam de receber regras”, garante a psicóloga Fernanda Roche, especialista em Educação Infantil e coordenadora do Espaço de Desenvolvimento Criança em Foco.
“É preciso que fique claro para a criança quais são seus direitos e deveres. Os pais devem ter firmeza ao estabelecer as regras”, diz a psicóloga. Ou seja, coerência e consistência são essenciais para essa história dar certo. “Às vezes, os pais não conversam entre eles sobre as regras ou as mudam conforme o humor. É preciso que fique claro entre eles o que esperam.”
Quanto à “teimosia” que os pais insistem em atribuir aos filhos, Fernanda lembra que os pequenos vão mesmo tentar resistir para testar os limites. “Mas o papel dos pais é manter-se firme. Não vejo sendo descumpridas as regras que são colocadas com bom-senso e amor”, diz.
A opinião é compartilhada pela psicóloga Ana Paola Lubi, mestre em Psicologia da Infância e da Adolescência e professora do UnicenP. “Não funciona quando os pais pensem ‘tadinho, vou dar mais uma chance’”. Para ela, os combinados dão certo, desde que feitos de acordo com a maturidade da criança. E alerta: pais que não conseguem cumprir as regras da casa dificilmente vão se dar bem com a estratégia.