Saúde e Bem-Estar

Escola, rito de passagem

Daniela Neves - danielan@gazetadopovo.com.br
11/10/2009 03:08
Helena Strapasson tinha 3 anos quando sua mãe a deixou pela primeira vez na porta da escola e foi embora. Ela sofreu alguns dias com o suposto abandono da mãe. “Minha mãe conta que me deixava com o coração partido, mas que considerava necessário”, diz Helena, hoje aos 32 anos, mãe de Anna Vitória, de 3.
Quando engravidou, Helena resolveu deixar o emprego de farmacêutica bioquímica para se dedicar à maternidade, no desejo de não sentir culpa por dedicar mais tempo à carreira do que à filha. “Eu tenho a vida inteira para trabalhar e ela precisava de mim naquele momento”, conta. Ficou dois anos grudada na pequena e agora está retomando a carreira.
A culpa por deixar o filho na escola é um fenômeno atual, sentido principalmente pelas mães, que ficam no eterno conflito entre carreira e filhos. As mães estão mais comprometidas com o mercado de trabalho e, como consequência, seus filhos estão entrando mais cedo na escola. Se antes era comum matricular as crianças somente no chamado pré, perto dos 5 anos, hoje as escolas estão preparadas para receber crianças com meses de vida. “Se os pais estão bem-resolvidos nesse momento, passam segurança para a criança e a adaptação na escola é mais tranquila. Por isso, temos um trabalho de adaptação com os pais, explicando como a ansiedade atrapalha”, diz Rosângela Borba, Coordenadora de Educação Infantil das Escolas Positivo.
As escolas se adaptaram a essa nova realidade. São hoje em maior quantidade e mais estruturadas. “Antes a pré-escola tinha um caráter assistencialista. Para cuidar bem, bastava dar comida e fazer a higiene. Hoje, evoluíram para fazer um trabalho de estimulação e criatividade com as crianças”, diz Rosângela.
A escola também passou a cumprir outro papel decorrente das falhas surgidas de modificações sociais. Para algumas crianças, essa instituição é a única oportunidade de interagir com outras. “As famílias encolheram e aquela família estendida de gerações anteriores, que cresciam com primos e vizinhos, não existe mais. As instituições de educação infantil hoje devem acolher essa necessidade de vivência da in­­­fância”, diz a doutora em Edu­­­cação Catarina Moro. (DN)