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O nascimento de Nicolas foi totalmente inesperado: com apenas 26 semanas (6 meses) de gestação, a professora Odessa Volochtchuk Fucci foi internada sob a suspeita de pedra nos rins. A dor que levou os médicos a pensarem no problema renal era, na verdade, do trabalho de parto. Quando a bolsa rompeu, não deu tempo de mais nada e Nicolas nasceu no quarto do hospital.
O susto rapidamente transformou-se em preocupação para toda a família. O bebê nasceu com 1,55 quilo e precisou ser reanimado pelos médicos. Não houve tempo para administrar corticóides antes do parto, procedimento que ajuda a amadurecer os pulmões de recém-nascidos prematuros. “Os médicos eram bem claros quanto aos riscos e os primeiros dias foram de muita ansiedade para nós”, conta a mãe.
Nas últimas décadas, bebês cada vez menores e com menor tempo de gestação têm sidos salvos por modernos aparelhos, medicamentos e pelas técnicas usadas dentro das UTIs neonatais. Há 15 anos, raramente um bebê que nascia com peso abaixo de um quilo sobrevivia. “No Brasil, hoje, o limite de viabilidade é de 400 gramas e 26 semanas de gestação. Na literatura internacional, o limite está ao redor de 24 semanas”, informa a neonatologista Silmara Aparecida Possas, da UTI-Neonatal do Hospital Pequeno Príncipe.
O caso de Arthur, que nasceu em agosto do ano passado no Rio de Janeiro com apenas 385 gramas, chegou a pesar apenas 282 gramas nos dias seguintes, e teve alta quatro meses depois já com 2,110 quilos, confirma que esses limites estão cada vez mais baixos. “Há sempre exceções de viabilidade, pois o esforço para manter estes bebês está cada vez maior; porém o risco de co-morbidades é inversamente proporcional à idade gestacional”, alerta a médica.
Ou seja, a mortalidade diminuiu, mas as seqüelas aumentaram muito (veja box). Dados do Ambulatório do Bebê de Risco do Pequeno Príncipe mostram que 50% dos prematuros evoluem bem e a outra metade fica com alguma alteração neurológica – que pode ser de leve a grave. “Essas crianças precisam ser muito bem acompanhadas para seu desenvolvimento global”, afirma a neuropediatra Mara Lúcia Santos, coordenadora do Ambulatório. Criado em 2004 e ampliado para toda rede pública de Curitiba em agosto de 2006, por meio de um convênio com a prefeitura, o programa atende crianças de zero a 7 anos nascidas prematuramente.
Desde a saída da UTI, o bebê passa por consultas freqüentes com seis especialistas, que o avaliam em um mesmo horário, poupando tempo dos pais e proporcionando uma visão integral. “Se um atraso no desempenho neurológico ou cognitivo for percebido apenas aos 7 anos, já se perdeu muito tempo. Procuramos intervir antes”, diz a neurologista.
Odessa e o marido Paulo Marcio Fucci sabem da importância desse acompanhamento e levam Nicolas, hoje com 3 anos, a consultas anuais com o neurologista, cardiologista, oftalmologista e ortopedista. O menino já fez fisioterapia e este ano está na natação. “O prematuro é um bebê que tem um estado mais delicado, precisa de um cuidado maior. É preciso respeitar seus momentos e ter esperança sempre. Hoje o Nicolas é um terror: superagitado, falante, adora cantar, pular e brincar de pirata”, comemora a mãe.
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