Eu sou a Nânax, irmã mais velha da Cáquix. É assim que ela apelida quase tudo. Meu irmão Andrey virou Deix e dizer oi nunca é sem graça. Grita-se um sonoro OIX!
Quando minha mãe ficou grávida da Caroline, eu já tinha 16 anos e meus irmãos tinham 14 e 10 anos. Eu estava no auge da adolescência – odiava o colégio, me achava um gênio incompreendido, ouvia Nirvana no último volume, só andava de jeans rasgado e casaco militar.
Eis que faltando poucos meses para o nascimento, tive uma apendicite que supurou e fui passar uma temporada no hospital (o mesmo onde dias depois minha mãe faria o parto). Até hoje, tenho que ouvir o médico e meus pais dizerem que adoeci para desviar a atenção de todos para mim. Pensando bem, talvez seja verdade. Por quinze dias, me sobrepus ao barrigão que carregava outra menina.
Mais de uma década se passou e, aos 27 anos, não consigo imaginar a casa sem os rumores da Carol. Ela fala alto, rouba meus tênis (sim, aos 11anos ela calça meu número), meu MP3 player, e me proíbe de entrar no seu quarto. Exatamente o que eu fazia aos meus irmãos quando tinha 16.
Odeio quando alguém me confunde com a mãe dela, mas é como eu me sinto ao me preocupar com sua adolescência precoce ou quando está triste ou não come direito.
Ter uma irmã temporã é como ser mãe e não ser, já que a gente briga como irmãs. Mas, posso dizer que é uma experiência incrível, pois nada como ter uma amostra em casa de quem você foi e ao mesmo tempo aprender coisas novas com alguém de outra geração.
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