Saúde e Bem-Estar

Faça de seu filho um adulto seguro

Jennifer Koppe
23/07/2007 00:26
Na Física, resiliência é a propriedade que alguns materiais tem de recuperar a sua forma original, mesmo após terem sido expostas à grande tensão. A Psicologia emprestou o termo para definir aquelas pessoas que, mesmo enfrentando as piores adversidades, conseguem solucionar os problemas e dar a volta por cima. Ou seja, suportam melhor as frustrações
A maioria dos especialistas concorda que a resiliência não é uma capacidade simplesmente inata. Ela pode ser desenvolvida e deve ser estimulada especialmente durante os primeiros anos de vida. Para o psicólogo Caio Feijó, mestre em Psicologia da Infância e da Adolescência pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), é importante que esse processo seja realizado durante a primeira infância, até os seis anos de idade. Ele também acredita que a personalidade do indivíduo tem grande influência no desenvolvimento desta característica. “Não há como negar que uma parcela da resiliência é influenciada pelo temperamento, definido antes de a criança nascer. Dificilmente uma criança tímida ou melancólica será uma pessoa resiliente.”
Entretanto, para a assistente social e educadora brinquedista Ingrid Fabian Cadore, fundadora da Associação Serpiá, os limites não são tão rígidos. “Não existem duas pessoas nem duas vidas iguais. Mesmo que dois irmãos sejam criados juntos, um pode ter colhido do meio ambiente experiências que o deixaram marcado de forma positiva e o outro não. Uma série de atividades favorecem o estímulo da resiliência.”
As brincadeiras, a contação de histórias, o contato com as artes e as comemorações estão entre as atividades com mais efeito. Isso porque elas produzem lembranças positivas da infância que ajudam a manter a esperança de um futuro melhor. “Os resilientes costumam lembrar de histórias do passado, laços de amizade e adultos de referência que os fazem sentir seguros. Por isso, o educador precisa dar importância à hora da brincadeira, pois o clima de encantamento que envolve este momento marca a vida das crianças para sempre”, alerta Ingrid.
Para que os filhos cresçam e se tornem indivíduos resilientes, ou seja, independentes, responsáveis, criativos e otimistas, os pais precisam ser os maiores exemplos. “Se os pais não souberem lidar com as próprias frustrações, como conseguirão transmitir valores como autocontrole e disciplina?”, questiona. Ingrid Cadore destaca o poder do afeto. Crianças amadas se sentem valorizadas e mais confiantes para buscar as próprias soluções.
jenniferk@gazetadopovo.com.br