Nem sempre a vida familiar segue rota de cruzeiro. Separações, brigas e divergências sobre filhos podem levar a conflitos que as vezes precisam de ajuda externa para ser resolvidos. Conversamos com a psicóloga Sônia Barcellos Siqueira, que, com a colaboração da também psicóloga Josete Cesarina Túlio, explicou como a terapia familiar pode nos ajudar a recuparar um lar que se transformou em campo de batalha. Por meio da Associação Paranaense de Terapia Familiar, elas fazem atendimento por um custo mais baixo, que é determinado levando-se em conta a situação econômica de cada família.
Como é o trabalho da terapia familiar?
O trabalho da terapia familiar, numa concepção sistêmica, é focado nas relações e interações entre os membros da família, ampliando-se a visão de que apenas uma pessoa é a única responsável pelo problema. Nesse sentido, trabalha-se como as pessoas se relacionam e as consequências dos diversos tipos de interação. A terapia tem como meta ajudar a família a perceber esse funcionamento, seus recursos e forças potenciais de mudança de forma que seus membros possam resolver os problemas existentes.
Quem pode ser ajudado por esse tipo de terapia?
A terapia de família envolve a família toda, mas também podem acontecer sessões individuais ou com parte do sistema familiar, como só com os pais, um dos filhos e a mãe, um filho e o pai, os irmãos, só o casal, avós e neto, assim como outros formatos de sessões. Todas as configurações de família e casal (nuclear, reconstituída, monoparental, substituta, dentre outras) podem ser ajudadas com a terapia familiar.
Por si só, as pessoas são capazes de quebrar correntes de problemas familiares que trazem da casa dos pais?
Assim como todas as fases da vida exigem uma série de adaptações, esta não é diferente. A passagem de sair da casa dos pais para vivenciar uma nova história requer maturidade e responsabilidade para somar em autonomia e fortalecimento; esse processo pode ser muito difícil e doloroso se este indivíduo tem na família de origem relacionamentos emaranhados com pouco espaço para a individualidade, em que um se intromete na vida do outro, e a identidade e seus processos de desenvolvimento ficam comprometidos.
De uma forma geral, a senhora observa que, ao chegar à terapia familiar, todos os membros estão dispostos a seguir o tratamento?
Muitas vezes a psicoterapia é iniciada com alguns membros da família e permanecem ali aqueles mais disponíveis e, conforme as necessidades, convidam-se outros membros para as próximas sessões. Porém, entendemos que a mudança em um único membro da família modifica por conseguinte todo o sistema e suas interações relacionais.
Quais são os maiores obstáculos para que uma família siga a terapia?
Percebem-se como obstáculos quando, numa terapia de casal, por exemplo, busca-se no terapeuta a postura do juiz, acreditando que ele teria o poder de decidir o que e quem está certo ou errado. Outro obstáculo aparece quando num sistema familiar evidencia-se excesso de rigidez, poucas habilidades ao diálogo e à negociação para mudanças, bem como altos indicadores de desesperança. Mas, mesmo em momentos de impasse, trabalha-se em conjunto com a família, com foco nos recursos e potências capazes de gerar mudanças significativas para todos os membros do sistema familiar.
Como é a formação de um terapeuta de família?
O terapeuta de família e de casal pode ser psicólogo, assistente social ou médico. Mas ele necessita ter uma especialização e/ou formação em Terapia Familiar em um instituto formador reconhecido pelas Associações Regionais de Terapia Familiar, que são ligadas à Nacional (ABRATEF), para poder exercer sua atividade profissional de forma capacitada e legitimada.
Serviço: Associação Paranaense de Terapia Familiar (APRTF), site: www.aprtf.com.br, fone: (41) 3338-6113.
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