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Crianças brincam de fazer tevê no Clube da Brincadeira.
Pensar no que fazer nas férias com as crianças é sempre um desafio. E quando vêm os primos ou amiguinhos para passar uma tarde ou alguns dias? E se chover, na cidade ou na praia? Que tal ensiná-las algumas brincadeiras e atividades prazerosas e – por que não? – entrar na bagunça também? A educadora-brinquedista Maria Cristina Pires dá dicas capazes de tornar as férias mais divertidas e estreitar o relacionamento com seus filhos.
Culinária
Criança adora ajudar na cozinha. Conforme a idade, deixe que ela participe da confecção do lanche da tarde, por exemplo. Esse é um momento muito rico em que se pode aproveitar para a criança aprender a contar, a usar fração, a medir líquidos, a pesar sólidos, cores. Sem falar na oportunidade de explicar o valor nutritivo dos alimentos. Tudo de forma absolutamente prazerosa.
• Sugestões
Minipizza, sanduíches divertidos (utilizando catchup, mostarda, cenoura ralada, verduras cortadinhas, ovo de codorna cozido, tomate-cereja e outros ingredientes para montar caras nos sanduíches), brigadeiro (só a brincadeira de enrolar e enfeitar com granulado já é uma farra), sucos e vitaminas batidas no liqüidificador, bolachas (modelar a massa dando formas diferentes), salada de frutas.
Fantoches
Utilize meias velhas para fazer fantoches. Os olhos podem ser botões ou peças compradas em casa de artigos para festa ou armarinhos. Os cabelos, sobras de lã. O nariz, peças de bijuteria. Com sucata faz-se chapéus e roupinhas, que irão complementar o personagem. E que tal apresentar um “teatrinho”?
Brinquedos com sucata
Não jogue mais fora caixas de ovos, latas de leite em pó, caixas de fósforos, garrafas pet, caixas de leite ou suco e rolos de papel higiênico vazios. Eles poderão se transformar em robôs, aviões, carros, prédios, bonecos e o que mais seu filho imaginar. Junte tudo, mais cola branca, fita crepe, fita adesiva e tesoura e deixe que ele crie novos brinquedos.
Brincando de televisão
Sobrou alguma caixa grande das compras de fim de ano? Que tal utilizá-la para fazer uma “televisão”? Com uma tesoura, corte um retângulo numa das laterais da caixa, fazendo a tela. Com papel colorido, faça os botões. Tire o fundo e apóie a caixa em duas cadeiras, deixando um espaço para as crianças entrarem na televisão. Agora é hora de inventar os programas que serão apresentados. Os artistas e apresentadores? Seus filhos! Shows de música, comerciais, programas jornalísticos ou, quem sabe, um jornal só com notícias boas.
Bijuterias
As meninas amam! Nas casas de bijuterias compre as contas, fio de silicone (para pulseiras), fio de náilon (para colares), peças para fazer brinco, um alicate de bijuteria (para moldar e prender as peças dos brincos). Tesoura e esmalte incolor (para passar sobre o nó que vai fechar a pulseira ou colar, para que não se desmanche) também são necessários.
Acampamento
Verão com chuva? Hora de montar acampamento em casa. Com duas cadeiras (colocadas uma em frente a outra, com uma distância de 1,50 m entre as duas), lençol e pregadores, monte a barraca. Se tiver panelinhas, pratos e copos de brinquedo e comidinhas que possa oferecer para as crianças usarem, a brincadeira fica mais interessante.
Piquenique no chão da sala
A idéia do piquenique é uma delícia. Tem sol e você mora em casa? Sirva o lanche no quintal. Deixe que as crianças arrumem a toalha, os pratos, copos, comes e bebes. Você mora em apartamento e o verão curitibano é de chuva? Por que não um piquenique no chão da sala? O inusitado do convite deixa o lanche mais especial ainda.
Berlinda
5 ou mais crianças
Uma das crianças vai para a “berlinda”, um lugar distante onde não possa escutar o que se fala. Outra fica como dirigente e vai perguntando para as demais o que acham daquela que está na “berlinda”. As crianças vão respondendo com uma crítica ou um elogio. Feito isso, a dirigente conta tudo o que disseram daquela que está na “berlinda”, de bom e de ruim. Esta escolhe, então, uma resposta para saber quem é o autor. Ele será o próximo a ficar na “berlinda”.
Batata quente com embrulho
4 ou mais crianças
• Material: embrulho surpresa, com vários papéis, uns sobre os outros, contendo balas, chocolate, bexigas…
As crianças sentadas em círculo, voltadas para o centro, vão passando umas para as outras o embrulho, enquanto uma delas, fora do círculo e de olhos vendados, vai repetindo “Batata quente, quente, quente, quente… queimou”. Ao comando “queimou” a criança que estiver segurando o embrulho poderá desembrulhá-lo, retirando apenas um dos papéis que o cobrem. A brincadeira recomeça até que todos os papéis sejam abertos e descobre-se o que há dentro.
Adivinha quem eu sou
3 ou mais crianças
Cada criança receberá um papel que será colado às suas costas, sem que ela veja o que está escrito ou desenhado. No papel estará o nome de um personagem famoso das histórias em quadrinhos, de desenho animado, um artista ou cientista (depende da faixa etária). Cada um, na sua vez, vai fazendo perguntas cujas respostas só poderão ser “sim” ou “não” para tentar descobrir qual personagem tem nas costas. As outras crianças vão respondendo. Ganha quem primeiro adivinhar seu personagem.
Dicionário
4 ou mais crianças
• Material: um dicionário, papel e caneta para cada um dos participantes.
Uma das crianças escolhe uma palavra que ninguém conheça o significado no dicionário e fala para os outros. Todos devem escrever a palavra no papel, tentando dar uma definição como as usadas no dicionário. Quem escolheu a palavra vai escrever ao lado a definição que o dicionário dá a ela. Depois todos entregam seus papéis àquele que escolheu a palavra e este lerá, em voz alta, cada uma das definições, inclusive a verdadeira. Cada um, então, escolherá qual definição acredita ser a verdadeira. Ao final, a definição correta será informada e conta-se os pontos de cada um assim:
• 3 pontos para o participante que escolheu a palavra se ninguém acertou a correta;
• 3 pontos para o participante que adivinhou a definição verdadeira;
• 1 ponto para cada voto que uma definição inventada obtiver.
História maluca
4 ou mais participantes
• Material: papel e caneta para cada participante.
Esta brincadeira é de criação de histórias, só que cada uma será dividida em várias partes, cada uma delas contada por uma pessoa do grupo, que não saberá o que foi escrito anteriormente. Oriente os participantes a escrever utilizando o papel na posição vertical, para que se tenha mais espaço. A cada pergunta feita por uma das crianças, o participante escreve uma parte da história, dobra o papel o suficiente para cobrir o que escreveu e o passa para o amigo que está a sua direita, sempre seguindo a mesma ordem. Assim, cada um receberá uma folha, com uma história já começada, que deverá usar para continuar a contar sua própria história. Ao final, cada um terá em suas mãos um papel com uma “história maluca”.
As perguntas que deverão ser feitas:
1- Quando se passa a história?
2- Nome de um personagem masculino
3- Nome de um personagem feminino
4- Onde estavam?
5- Fazendo o quê?
6- Quando, de repente…
7- E aconteceu o quê?
8- No final, deu tudo certo porque…
Ospra
4 ou mais participantes (maiores de 9 anos)
• Material: dois baralhos
Divida os baralhos entre os participantes, de modo que todos fiquem com o mesmo número de cartas. O objetivo é se livrar das cartas. Os participantes ficam sentados em círculo. Distribuídas as cartas (inclusive com os coringas), cada um deverá manter o monte de cartas, voltadas para baixo, à sua frente, de modo que ninguém saiba quais cartas tem. Um jogador de cada vez colocará a carta de cima da sua pilha virada para cima no centro do círculo. Determinadas cartas demandam ações por parte de todos os participantes. Quem deixar de cumpri-las, cumpri-las por último ou errado, ficará com todo o monte de cartas do centro. Havendo mais de um jogador numa dessas situações, o montante de cartas é dividido entre os dois. Aí se começa uma nova rodada.
Se aparecer no centro uma das seguintes cartas, todos terão que fazer o combinado:
Qualquer ás – todos devem bater com a mão aberta sobre a pilha de cartas do centro da mesa.
2 preto (espada ou paus) – todos têm de fazer o sinal de positivo.
5 de paus – todos devem gritar “OSPRA”
Qualquer valete – todos gritarão “bom dia, meu senhor!”
Qualquer dama – todos gritarão “bom dia, minha senhora!”
Qualquer rei – todos deverão bater continência.
O jogo continua até que alguém fique sem cartas ou até que alguém fique com todo o baralho.
Saiba mais:
A Arte de Brincar – Adriana Friedman – Editora Vozes.
Como Brincar à Moda Antiga – Darci André Carvalho – Editora Ler.
Jodos Dirigidos – Silvino José Fritzen – Editora Vozes.
Atividades Recreativas para Dias de Chuva – Solange Lima Ferreira – Editora Sprint.
Serviço: A educadora-brinquedista Maria Cristina Pires coordena a colônia de férias do Clube da Brincadeira, na Escola Anjo da Guarda, até o dia 2 de fevereiro. Das 13h30 às 17h30, para crianças de 3 a 10 anos. A participação pode ser diária ou semanal. Informações pelos fones (41) 9105-9368 e 9944-3231.