Ajoelhar no milho, dar a mão à palmatória, ficar trancado no quarto escuro… As punições aplicadas há décadas doíam no corpo e na alma das crianças da época, que se transformaram nos pais e avós de hoje.
jenniferk@gazetadopovo.com.br
Ajoelhar no milho, dar a mão à palmatória, ficar trancado no quarto escuro… As punições aplicadas há décadas doíam no corpo e na alma das crianças da época, que se transformaram nos pais e avós de hoje.
Ajoelhar no milho, dar a mão à palmatória, ficar trancado no quarto escuro… As punições aplicadas há décadas doíam no corpo e na alma das crianças da época, que se transformaram nos pais e avós de hoje.
A maioria não quer repetir os erros de seus próprios pais e promete fazer tudo diferente. Mas muitos se perdem quando precisam disciplinar o filho e estabelecer limites sem fazer uso de gritos, punições severas e força física.
Felizmente, garantem os especialistas, é possível educar as crianças e mostrar o que é permitido ou não, sem se transformar em carrasco ou monstro.
Não é, entretanto, tarefa das mais simples. Você vai precisar se munir de uma dose extra de paciência e controle. Os resultados, porém, farão o esforço valer a pena. O fato de ver os seus pimpolhos comportados e felizes, sem desgaste ou remorso, será a grande recompensa.
Para a psicoterapeuta Eloá Andreassa, o primeiro passo é substituir o “castigo” pela conseqüência. “A palavra tem um significado muito mais positivo e esclarecedor. Elas precisam entender que todo ato tem uma conseqüência. Se a criança coloca o dedo na chama do fogão, vai se queimar. É simples”, explica.
Melhor ainda é poder prevenir o mau comportamento, antes que aconteça. De acordo com a psicóloga e psicopedagoga Tisa Paloma Longo, a abordagem positiva é fundamental. “A criança deve ser elogiada quando cumprir com alguma regra ou tarefa. Por exemplo, se ela escovar os dentes durante toda a semana sem reclamar, pode ser recompensada com um passeio no parque”, sugere.
Os combinados também podem auxiliar a prevenção. Informar as crianças continuamente sobre as regras e do que pode acontecer se elas forem descumpridas evita muitas broncas.
A estudante de pedagogia Fernanda Puppi, 29 anos, criou junto com os filhos Gabriel, 7, e Giulia, 3, uma série de cartazes coloridos que apresentam o regulamento da casa. Os cartazes foram pendurados pela casa e podem ser entendidos pelo mais velho, que já sabe ler, e também pela pequena, através de desenhos e figuras. “Parece uma medida simples, mas tornou tudo muito mais fácil porque eles compreendem e estão sempre sendo lembrados do que é certo ou errado. Eles acham legal ter regras, até contam para os amiguinhos.”
Tisa Longo lembra que os pais devem servir de modelo, sempre. “Se a regra da casa é não bater e nem gritar, todos devem obedecer, inclusive os pais. Senão a criança vai imitar este comportamento”, completa.
Mas é bom que fique claro que evitar broncas e castigos não é sinônimo de deixar a criança fazer o que quiser. A falta de limites pode ser até mais prejudicial para a educação delas do que as punições severas. “Sem limites, elas não conseguem aprender as regras da sociedade e perdem o controle sobre as emoções. Podem se tornar agressivas e inseguras”, alerta a psicopedagoga. Eloá também reforça o perigo da negligência dos pais. “A ausência de limites contribui para a formação de delinqüentes no futuro.”
Serviço: Tisa Paloma Longo (psicóloga) – Psicologia Clínica, fone (41) 3014-8779, www.clinica.psc.br / Eloá Andreassa (psicóloga) – Valle do Sol, fone (41) 3016-5036.
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