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Acostumadas a viver no espaço restrito do lar, muitas vezes passando horas sozinhas em frente à tevê ou computador, as crianças estão sofrendo de um mal até pouco tempo associado apenas à idade adulta: o sedentarismo. Fisicamente, as conseqüências das “babás eletrônicas” podem ser obesidade, flacidez muscular, prejuízos de postura, visão e audição. Mas os problemas vão além, com defasagem no desenvolvimento emocional, na criatividade e até no processo de aprendizagem.
A pedagoga Laura Monte Serrat Barbosa, especialista em Psicologia Escolar e da Aprendizagem e mestre em Educação, diz que tanto a tevê quanto os jogos eletrônicos desenvolvem a atenção descentrada – quando se presta atenção em várias coisas ao mesmo tempo. Quando chega na escola, a criança não aprendeu a ter concentração. “Para aprender é preciso pensar, fazer relações, movimentar-se internamente”, reforça. Outras atividades que também ajudam na concentração foram se perdendo com o tempo. Os pais contavam histórias, conversavam na hora das refeições e as crianças eram responsáveis por pequenas atividades em casa, como secar a louça ou pôr a mesa.
Pior é que os prazeres eletrônicos roubam o tempo de brincar. “Crianças que se movimentam pouco podem tornar-se adultos com dificuldade no pensar claro. O movimento oxigena o cérebro e estimula a formação de conexões nervosas na infância”, alerta a pedagoga Kathrin Jaster de Almeida, professora da Educação Infantil de uma escola da pedagogia Waldorf. “Adultos sem criatividade e iniciativa são fruto de crianças que passaram o dia somente ‘recebendo’ em frente à televisão, computador ou videogame, pois não tiveram a oportunidade de deixar correr solta sua fantasia na idade certa. A fantasia infantil se transforma em criatividade no adulto”, continua.
Limite e domínio
O movimento é também “uma forma importante de aprender seus limites, ter domínio de suas ações”, conforme a psicanalista Monica Bigarella. Ela diz que toda atividade, seja mental ou corporal, dá essa noção, que começa no físico e se estende ao psíquico. “O sedentarismo acaba resultando em inércia, a pessoa fica acomodada, sem disposição para nada.”
Para ela, a diferença entre a criança que fica “jogada” na frente da tevê e a que tem oportunidade de realmente ser criança é clara. No segundo caso, elas são mais imaginativas, desenvolvem mais o senso de criação, têm maior capacidade de elaborar o pensamento, são mais sociáveis e psiquicamente mais saudáveis.
Serviço: Laura Monte Serrat Barbosa (pedagoga), Síntese, fone (41) 3363-1500 / Margaret Boguszewski (endocrinopediatra), Unidade de Endocrinologia Pediátrica do HC, fone (41) 3262-3837 / Monica Bigarella (psicanalista), fone (41) 3252-2163.
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