Saúde e Bem-Estar

Invasão japa

Érika Busani
27/03/2006 02:16
erikab@gazetadopovo.com.br
Ele tem 11 anos e gosta de comer sushi e yakissoba, ver animês e ler mangás. Seu sonho é conhecer o Japão. Seu sobrenome não é Sato nem Okamoto, mas Gillatore Bigardi. Por que Gabriel, um legítimo descendente de italianos nascido no Brasil, nutre tamanha admiração pela cultura japonesa?
Gabriel não é o único. Ele mesmo teve a influência do irmão André, 13, que gosta dos mangás – gibis japoneses – e do amigo Leonardo, 11, que curte os animês – desenhos animados. Pelo visto, não é só entre os adultos que o orientalismo está em moda – que o digam os inúmeros restaurantes japoneses que abriram nos últimos anos.
Crianças e pré-adolescentes também aderiram ao japonismo (veja box). “A criançada chega até o Japão através desse culto aos desenhos animados que passam na tevê. Daí para passar a um conhecimento maior da cultura é um passo”, diz a doutora em História Celina Kuniyoshi, autora do livro Imagens do Japão – Uma Utopia de Viajantes.
Gabriel confirma a tese. Dos animês e mangás – são cerca de 300 gibis e muitos DVDs, que coleciona desde os 6 anos –, surgiu a vontade de conhecer mais. “Comecei a ler, fui conhecendo e gostei. É bem diferente da nossa cultura.” Sempre que vai a São Paulo, o passeio à Liberdade (bairro japonês da capital) é obrigatório, e a vontade de ir ao Japão é para “conhecer mais da cultura e comer comidas novas”. Ele também faz aula para aprender a desenhar mangás.
“Alguns alunos já falaram que eu pareço um animê”, conta a professora de História Helena Shizuno, 34 anos. Muitos se aproximam para conhecer a cultura japonesa e querem saber seus costumes. Ela conta que alguns se aprofundam nos conhecimentos, outros nem tanto. “A classe média adora consumir coisas que façam que ela pareça ser diferente. Parece moderno, sem necessariamente interagir culturalmente.”