Saúde e Bem-Estar

Lidando com a situação

(EB)
22/05/2006 01:10
Sempre questione: sob qual ótica o adolescente é má influência? Não se esqueça que para o pai do outro, pode ser que o seu filho é que seja a influência nociva.
A conduta dos pais não deve ser de impedimento, mas de orientação. Até porque, como o adolescente quer se diferenciar de seus pais, a proibição pode funcionar como um reforço: no lugar de se afastar, o jovem vai querer se aproximar mais do amigo em questão.
A psicóloga Vera Regina Miranda diz que é ilusão acreditar que se consegue impedir alguém de fazer algo no mundo de hoje. Ela lembra que ninguém é só bom ou só mau. “Estimule seu filho a enxergar o que vale a pena aprender com o amigo, porque são condutas adequadas, e o que ele tem a ensinar para o amigo. Isso é maturidade, é crescimento”, diz Vera. Além de desenvolver a consciência crítica, essa prática desestimula o preconceito.
Os pais devem se conscientizar da importância do diálogo na educação – durante todo o processo de desenvolvimento da criança e adolescente –, dar o exemplo e ajudar o filho a refletir.
A psicóloga Ana Paola Lopes Lubi lembra que o papel dos pais na adolescência é estar presente, saber onde o filho está e com quem. “O diálogo e os limites são muito necessários nesta fase, por mais que o adolescente tenha mais autonomia que uma criança, os pais são os responsáveis, os adultos da casa.” Cuide, no entanto, para não exercer uma monitoria estressante (estar sempre em cima, com sermões…). Não resolve e pode até estimular a transgressão. Dose direitos com deveres, se pergunte “quanta liberdade meu filho tem condições de administrar com responsabilidade?” Preparar-se para a idade adulta inclui aprender a lidar com diversos tipos de pessoas.
Acostume-se a filtrar o que seu filho conta. A tendência dele vai ser contar que o outro é inadequado e não ele. Perceba o que é real em suas histórias.
Procure conhecer os amigos de seu filho. Convide-os para sua casa e sempre que tiver oportunidade, converse com os pais deles.
Analise se atribuir comportamentos inadequados de seu filho às más companhias não é uma forma cômoda de lidar com a situação.
Lembre-se que ele se envolve com quem se identifica. Dizer “você voltou às 5 da manhã porque estava com fulano” é mais fácil que impor o limite do horário, lembra Ana Paola.