Saúde e Bem-Estar

Lidando com os porquês

Adriano Justino
14/10/2007 23:05
• Quando começam os porquês – lá pelos 3, 4 anos – a criança ainda não tem condições de entender o mecanismo das coisas, por isso, as respostas devem ser simples. Para algumas perguntas, basta um sim ou não.
• A pedagoga Laura Monte Serrat Barbosa explica que, nessa fase, conforme o psicólogo e filósofo Jean Piaget, a criança quer na verdade saber o “para quê”. “Quando ela pergunta ‘por que a margarina é mole?’, está querendo saber para quê é mole, ou seja, para passar no pão”, diz Laura.
• Por volta dos 6, 7 anos, a criança já tem condições de entender uma explicação, mas ainda simples.
• Quanto mais velha, mais longas podem ser as explicações. Após os 8 ou 9, quer saber o porquê mesmo.
• Responda apenas o que ela perguntou. Se a criança já tiver condições de entender mais, vai perguntar.
• Nem sempre a criança formula a pergunta de modo lógico. Quando pergunta ‘por que minha avó morreu’, por exemplo, não quer saber se o coração parou, mas como lidar com isso, o que fazer com esse vazio.
• Uma boa maneira de saber o que a criança quer é devolver a pergunta. “Por que você está perguntando? Aonde você ouviu isso?” são questões que ajudam a entender exatamente o que ela quer saber e também uma maneira de se aproximar mais do cotidiano dela.
• Os porquês sem fim – quando uma resposta vai gerando outro e mais outro – têm diversos motivos. “A criança vai exercitando sua capacidade de compreender as coisas”, diz a psicanalista Maria Augusta de Mendonça Guimarães. Algumas vezes, funciona como uma brincadeira.
• Fale sempre a verdade. A criança percebe quando a resposta não tem lógica e pode facilmente confrontá-la com outras opiniões. A mentira faz com que perca a confiança nos pais.
• Quando não tiver tempo de responder, deixe claro que o motivo é esse e combine de conversar mais tarde, em um momento mais calmo.
• Não use a falta de tempo ou outro motivo como desculpa para não responder nunca. A criança desiste e vai buscar a resposta em outro lugar.
• Se não souber a resposta, assuma. Os pais não têm a obrigação de saber tudo. Depois, informe-se e responda.
• Procure não fazer com que a criança tenha de descobrir a resposta sozinha, pela internet. “É uma resposta despersonalizada. O que ela quer saber é como o adulto interpreta aquilo”, afirma a psicanalista Rosa Maria Mariotto. (EB)