Saúde e Bem-Estar

Livres para voar

Jennifer Koppe
13/11/2006 00:16
jenniferk@gazetadopovo.com.br
Viajar para um país distante, entrar em contato com outras culturas, fazer novos amigos, aprender um idioma, ampliar os horizontes acadêmicos… São muitos os benefícios do intercâmbio cultural. Por esse motivo, existe um número cada vez maior de jovens interessados em embarcar nesta aventura.
Mas enquanto a cabeça dos jovens se enche de expectativas e planos, para os pais, a experiência pode ser angustiante. Afinal de contas, não é fácil ficar um ano afastado do filho, que estará vivendo há milhares de quilômetros de distância, na casa de uma família desconhecida.
São muitas as dúvidas que pairam sobre a cabeça nessa hora. Meu filho será bem tratado? Posso confiar na família hospedeira? Ele estará seguro?
Para não correr riscos, é preciso estar atento. Fazer muitas perguntas sobre a escola, a cidade onde ele irá morar e aprender o que puder sobre a nova família.
O acompanhamento psicológico também é importante na preparação de pais e filhos. A Central de Intercâmbio oferece um treinamento intercultural para as famílias e assistência antes do embarque, durante a estada e no retorno. “Os pais precisam estar dispostos ou podem estragar tudo. Também é preciso controlar o etnocentrismo, a idéia de que somos melhores do que os outros. Isso dificulta a adaptação deles em outro país”, explica a psicóloga gaúcha Andrea Sebben, especialista em relações interculturais.
Participar do Cross Cultural Training, promovido por Andrea, foi fundamental para o estudante Gabriel Moreira Machado, 17 – que voltou em agosto de Ohio, nos Estados Unidos –, e para os seus pais Lucy e Gualberto. Eles ficaram sabendo com quem Gabriel ia ficar um dia antes do embarque, mas estavam seguros da decisão que tinham tomado. “Como sabiam que era importante para mim, me deixaram ir. Meu pai foi um professor universitário, que já tinha hospedado outros cinco intercambistas. Foi muito legal”, conta.
De acordo com a mãe Lucy, a separação foi difícil, mas ela e o marido sabiam que ele estava feliz. “Ir para os Estados Unidos era o sonho de Gabriel, desde criança. É importante que os pais não prendam psicologicamente o filho, o deixam livre para aprender e aproveitar”, aconselha.
Serviço: Andrea Sebben (psicóloga culturalista), www.andreasebben.com.br.