A dificuldade em falar de amor, brigas e a relação com os pais tem levado pré-adolescentes e adolescentes aos livros. Mesmo em aventuras de distopia, que envolvem cenários pós-apocalípticos ou sociedades completamente diferentes, eles são conectados à realidade: identificar-se com os personagens os faz amadurecerem.
Maze Runner, Jogos Vorazes e Insurgente são exemplos de distopias que substituíram as aventuras do passado, como as de Narizinho e Pedrinho, do Monteiro Lobato, ou ainda as obras de Julio Verne e George Orwell, diz Ricardo Schil, coordenador comercial especialista em mercado editorial das Livrarias Cultura.
Situações cotidianas (e com pitadas de humor) parecem ainda mais viciantes. Séries de diários, como o Querido Diário Otário, Diário de um Banana e Diário de uma Garota Nada Popular, dizem aquilo que o jovem gostaria de falar, ou o ajudam a falar o que gostariam. “O diário, na literatura, duplica aquilo que o jovem já faz, seja nos blogs ou nas páginas das redes sociais, que é contar as suas experiências”, diz a professora de literatura especialista em literatura infantil da Universidade Federal do Rio Grande do Sul,Regina Zilberman.
A identificação com os personagens faz com que os livros se tornem guias autoajuda para a sobrevivência juvenil. “Eles percebem que não são os únicos que se irritam com os pais, não são só eles que se apaixonam pela pessoa errada”, diz a autora da série Fala Sério!, Tudo por um namorado, Por que só as princesas se dão bem?, Thalita Rebouças.
Clássicos que abrem a cabeça
Livros que retratam situações cotidianas dos jovens podem ser os que mais vendem, mas não bastam. O editor de literatura da editora Positivo, Marcelo Del’Anhol, cita a pensadora argentina Beatriz Sarlo para explicar: “Corteja-se o mundo dos jovens, mas deixa-se de oferecer o conhecimento de outros mundos. Não contribui para a formação do jovem a leitura de apenas aquilo que ele próprio vê ao redor”, diz. Ao reduzir a literatura infanto-juvenil a histórias de primeiro beijo, namoro, mudanças no corpo, os gostos e vivências dos jovens acabam sendo limitados, diz ele.
Vá além com boa literatura
O editor do Caderno G, da Gazeta do Povo, Irinêo Netto, sugere a jovens até 15 anos O Vermelho e o Negro (Stendhal); O Chamado Selvagem (Jack London) O Apanhador no Campo de Centeio (Salinger) e O Velho e o Mar (Hemingway). Após os 15 anos, On the Road – Pé na Estrada (Kerouac); Ilusões Perdidas (Balzac); Crime e Castigo (Dostoiévski) e O Conde de Monte Cristo, (Dumas).