Saúde e Bem-Estar
“Quando a Mariele tinha 1 ano e 11 meses, ela teve muita febre, manchas no rosto e nas pernas. Levei no pediatra e ele dizia que estava tudo bem. Mas aquele estado só piorava. Resolvi ir com ela até Laranjeiras do Sul e, chegando lá, ela foi diretamente fazer exames. Às três da manhã, o médico veio com os resultados e nos deu a notícia. Era uma leucemia agressiva. Na hora achei que tudo ia acabar, chorei muito. Sabia que tinha que ser forte, que tinha que lutar contra a doença da minha filha, mas só pensava que eu poderia perdê-la. Já em seguida viemos para o tratamento em Curitiba. Ela chegou mal, mas foi forte. Hoje me sinto mais segura, a doença está controlada. Fiquei um ano sem sair daqui. Quando pode o pai vem para vê-la. Às vezes bate incerteza, rezo, procuro os amigos que fiz aqui.
Ela mesma sabe o nome completo da doença, os exames que faz, e que agora está com herpes e tem que ficar afastada dos amigos para não passar para eles. Ela olha as outras crianças na piscina e fala “Quando eu ficar boa, sarar, também vou na piscina.”
Ela diz às vezes que gosta mais daqui que de casa. No começo não queria voltar para casa. Gosta dos brinquedos, dos amigos. Quando foi para lá, gostou também. Lá tem a irmã, o pai. Agora, quando está lá diz que quer estar aqui e quando está aqui fala que tem saudades de casa.
O pior momento foi a descoberta da doença. Depois, o tratamento. Ela sofreu muito. Chorava e arrancava os cabelinhos que começavam a cair.
Sabe, sempre achei que não tivesse essa coragem, essa força para lutar. Sinto falta da casa, do marido, da outra filha. O restante da minha família se afastou. A minha família – além do meu marido e das filhas – são as pessoas daqui.
Ela tem leucemia de alto risco. Se a doença voltar, terá que fazer transplante. Fizemos um teste para saber se somos compatíveis com ela. Mas espero que não precise fazer o transplante.”
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