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O menino de 2 anos pede para passar o batom da mãe ou brincar de boneca. A menina quer fazer xixi em pé e se divertir com carrinhos. Essa é uma dúvida comum dos pais, ainda mais nos tempos de mudança de comportamento ao qual vivemos. Como os pais devem reagir em tais situações? Deixar ou proibir pode causar confusão na identidade sexual da criança?
Afinal, ouvimos por tanto tempo frases como “homem não chora” e convivemos tanto com a idéia da mulher submissa que ainda há muita gente pensando assim, ou sem saber como pensar (e agir), já que hoje, com papéis não tão definidos, homens precisam exercer sua sensibilidade e mulheres, a razão.
Mesmo assim, principalmente quando o menino começa a demonstrar interesse por coisas femininas, a preocupação – especialmente dos pais – é imediata. E muitos dão importância desmedida quando ele demonstra curiosidade por bonecas, colares ou pulseiras. “A descoberta da diferença entre os sexos pelas crianças deve ser encarada de forma natural e tratada de maneira lúdica”, diz Tatiana de Souza Centurion, psicóloga sistêmica familiar.
Ela explica que é comum crianças a partir dos 3 anos formularem perguntas como “o vovô é menino, né, mamãe?” Em torno dos 4, eles já têm a percepção da diferença entre os sexos. Mais tarde, vem a identificação, quando a menina repara que a mãe usa vestido como ela, e o menino quer ser tão forte quanto o pai, passando a fazer associações entre o igual e o diferente.
Tatiana lembra que “a presença da figura masculina tem grande influência na formação da personalidade do filho homem”. Mas não é só isso. “As crianças fazem a identificação não só com a figura presente, mas também de forma simbólica”, diz a psicanalista Mônica Bigarella. Ou seja, o que os pais pensam e comentam a respeito do masculino e feminino terá grande peso nesta construção.
O excesso de carinho entre mãe e filho é outra preocupação dos pais. “Afeto não interfere na opção sexual. A mãe só deve cuidar com a superproteção, que cria filhos intolerantes à frustração”, afirma Tatiana. Permitir que os meninos extravasem seus sentimentos é uma evolução. “A história de que homem é razão e mulher emoção é puramente cultural. Todos somos razão e emoção, independente de sexo”, reforça.
A luz vermelha deve acender em casa quando, aos seis, sete anos, a criança insistir em trocar os papéis e ainda não perceber as diferenças entre os sexos. Daí é melhor que os pais procurem ajuda para lidar melhor com a situação.
Serviço: Mônica Bigarella (psicanalista), fone (41) 3252-2163 / Tatiana de Souza Centurion (psicóloga), fone (41) 3019-9553.
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