Saúde e Bem-Estar

Medicar ou não?

Adriano Justino
07/02/2010 02:05
“Ele se mostrou agitado ainda bebê, quando não ficava quieto no berço”, conta a mãe, a empresária Clevenice Lecheta, 35 anos. Os problemas se agravaram quando os castigos passaram a não funcionar mais e o número de bilhetes com reclamações aumentou na agenda da escola. “Eu achava que era exagero das professoras. Um dia fui conversar com a psicóloga do colégio e ela sugeriu que procurássemos um psiquiatra. Fiquei aterrorizada, mas ela explicou que ele perturbava muito os colegas e que aquilo não era normal”, diz.
A família resistiu à ideia de dar medicamentos para o menino. O médico convenceu a fazer um teste por três meses. “Muita gente disse que era loucura dar remédio tarja preta para criança”, conta a mãe. Nove meses depois da conversa com a psicóloga, Nicolas estava em uma das consultas que faz a cada dois meses e, naquele dia, sua medicação foi reduzida. Agora faz uso do remédio apenas durante o período da escola.
Tratamento
De acordo com a pedagoga Maria Cristina Bromberg, o uso do medicamento deve ser avaliado caso a caso. “De repente o medicamento para TDAH virou um remédio para a escola. Mas e o resto do dia? E o final de semana? A aprendizagem acontece o tempo todo, não é só na escola. A criança sai da aula e vai fazer a lição como?”, questiona. Ela lembra que a solução para o TDAH é mais ampla do que a medicação. “Às vezes o remédio é necessário, pois há casos em que o atendimento psicoeducacional não dá conta. Mas, além da prescrição de um remédio, a família também sai do consultório com indicação para acompanhamento pedagógico, psicológico, que envolve a modificação da dinâmica famíliar.”, diz Maria Cristina. “E tem que ter mudança na escola, no vizinho, no clube que a família frequenta e até no cachorro”, completa o neuropediatra Sérgio Antoniuk, coordenador do Cenep.