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A descrição ao lado parece de adolescentes com 17, 18 anos, mas hoje há meninas se comportando assim antes dos 10. E o que é pior: com o aval e apoio dos pais, que acham engraçadinho quando sua “princesinha” imita o rebolado funk aos 4, 5 anos.
“A erotização precoce tem um custo alto, inclusive para a própria criança, que tem sua infância encurtada. Criança tem de brincar e ser cuidada”, adverte a hebiatra (especialista em adolescentes) Júlia Cordellini, coordenadora do Programa Adolescente Saudável da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba. “As crianças deveriam estar brincando e não fazendo outros processos. Há uma sedução muito grande para se fazer as coisas mais rápido”, concorda a psicóloga Eneida Ludgero.
Os mesmos pais que tentam barrar a sexualidade da adolescente são os que compraram roupas adultas e sandálias de salto para ela quando pequena. “Eles esquecem que há 10 anos a criança vem convivendo com todo mundo achando bonito e rindo, e quando a filha vira adolescente querem proibir tudo. O pior é que muitas vezes a proibição não vem acompanhada de orientação”, lamenta a hebiatra.
É de pequenino…
Para não acelerar o desenvolvimento sexual e comportamental das meninas, as atitudes dos pais devem ser pensadas desde a infância delas. “Dizer ‘não’ é necessário sempre, desde criança, senão a adolescente não entende e não aceita. Os filhos precisam aprender a lidar com a frustração e os pais, entender que o amor melhor não dá tudo, mas educa com limites, com estrutura”, diz Julia. E acrescenta: “Não é uma questão de mostrar força, mas amor e cuidado. Nem que os filhos fiquem de cara feia.”
Para Eneida, o fundamental dentro de uma família é gastar tempo e energia na relação com as crianças. “Para desenvolver um relacionamento de qualidade, é preciso ter tempo para ver quem é esse ser que convive comigo. À medida que você gasta tempo – com qualidade – com seu filho, acha o equilíbrio da sua família.”
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