Saúde e Bem-Estar

Meu filho anda em más companhias

Érika Busani
22/05/2006 01:09
erikab@gazetadopovo.com.br
Diga-me com quem andas e te direi quem és. O dito popular parece fazer muito sentido na vida de pais de adolescentes. Quando chega o momento em que a turma passa a ser muito mais importante que a família, alguns pais começam a achar que os filhos dos outros são má influência para o seu filho.
Essa é uma questão, como diz a psicóloga Ana Paola Lopes Lubi, que envolve muitas variáveis. “Há a questão do preconceito, pois famílias que são muito rígidas não se sentem confortáveis com características que fazem parte da adolescência, entre elas fazer oposição e se diferenciar do mundo adulto. E isso pode acontecer com roupas, modo de falar, comportamento”, discorre ela, que é mestre em Psicologia da Infância e da Adolescência e professora do UnicenP. Alguns pais, contaminados pelo preconceito, não conseguem ver seus filhos se relacionando com jovens de classe social inferior ou mesmo de outra raça.
Para ela, no entanto, a preocupação deixa de ser preconceituosa quando as companhias do filho apresentam condutas anti-sociais, como bebedeiras freqüentes, uso de drogas, reprovações ou abandono dos estudo e brigas. “É uma idade de risco, na qual o jovem é influenciável. E o adolescente tem três necessidades básicas: romance, aventura e risco”, lembra a psicóloga Vera Regina Miranda, também mestre em Psicologia da Infância e da Adolescência e professora da PUCPR e do UnicenP. Quando esses três elementos se combinam, aumenta o risco de envolvimento em situações perigosas.
Mas olhar para fora é sempre mais fácil que fazer uma avaliação sincera das pessoas que amamos. Quando o adolescente se insere em um grupo é porque se identifica com ele. Um exercício para os pais é pensar se o próprio filho não é má influência para o outro – hipótese que o pai do amigo provavelmente já levantou. “Os pais precisam ter uma abertura mental que permita enxergar tudo. Se o meu filho está nesse grupo, algo está servindo para ele”, adverte Vera.
E, claro, é a idade da oposição, em que o adolescente procura se diferenciar de seus pais, diz Vera. “O jovem precisa escolher coisas que não seriam aprovadas por seus pais para crescer e se identificar com o mundo adulto. É a fase em que a pessoa está experimentando diversos papéis para incorporar o que serve. E isso é saudável.”
Por fim, apelar para o discurso das más companhias pode ser um “movimento cômodo” para alguns pais, segundo Ana Paola. “É mais fácil colocar a culpa nos amigos do filho que assumir a responsabilidade por sua educação”, alerta.
Serviço: Ana Paola Lopes Lubi (psicóloga), fone (41) 3335-8360 / Vera Regina Miranda (psicóloga), fone (41) 3332-3656.