(essas orientações valem também para os adultos)
Muitos pais ficam apreensivos quando recebem a notícia de que seus filhos precisam usar óculos porque prevêem dificuldades de adaptação. Para a oftalmopediatra Ana Tereza Ramos Moreira, coordenadora do Centro de Visão, serviço de oftalmologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a preocupação não tem fundamento. “Muitas mães relatam que a criança pede os óculos quando acorda. Outras dizem que o filho ficou até emocionado quando os usou pela primeira vez e enxergou bem.”
Não é difícil de entender, já que problemas de visão interferem muito na qualidade de vida dos pequenos, resultando inclusive em baixo rendimento escolar. “A criança não vai dizer ‘não estou enxergando’. Ela acha que todos vêem como ela. São os pais ou professores quem devem estar atentos aos sinais e sintomas” (leia box).
O ideal é que a criança seja examinada pela primeira vez por um oftalmologista aos 3 anos. “Antes, só se houver alguma suspeita de problema visual ou história familiar de doenças oculares, como miopia muito alta, glaucoma, cegueira”, diz a oftalmologista Ligia Pindanga. Ela recomenda que os pais observem se os olhos do bebê são paralelos e se há manchas brancas nas pupilas – percebidas mais facilmente em fotografias. Nesses casos, eles devem procurar o médico imediatamente.
Caso não haja problemas na primeira consulta, a próxima pode ser marcada em torno dos 6 ou 7 anos.
Teste do olhinho
O teste do olhinho é obrigatório por lei no Paraná desde 2005. Simples, rápido e indolor, é feito nas primeiras horas de vida do bebê e detecta precocemente doenças como tumores, catarata congênita, traumas de parto, hemorragias, inflamações e infecções e malformações. Nos dias 21 a 23 de junho, o congresso da Associação Paranaense de Oftalmologia terá cursos para os pediatras de como fazer o teste. Informações pelo fone (41) 3232-4031.
Principais problemas
Os mais comuns são os chamados erros de refração:
• Hipermetropia: é o mais comum na infância. É a dificuldade de focalizar objetos a curta distância.
• Astigmatismo: todos os objetos – longe ou perto – ficam distorcidos.
• Miopia: prejudica a visão à distância. Muitas vezes a criança “aperta” os olhos para enxergar de longe.
• Tratamento: uso de óculos ou lentes de contato. Cirurgia a laser são indicadas apenas após os 21 anos.
• Estrabismo: caracaterizado pelo desvio dos olhos. O tratamento pode envolver a oclusão, feita com tampões, o uso de óculos para corrigir grau – normalmente há hipermetropia associada – e cirurgia corretiva.
• Ambliopia ou “olho preguiçoso”: diminuição da acuidade visual em um ou dois olhos, sem anomalia estrutural. O uso de tampão no olho “bom” estimula o desenvolvimento do “ruim”. Além disso, é necessário o uso de óculos ou lentes de contato.
Sinais e sintomas
• dor de cabeça
• lacrimejamento
• vermelhidão nos olhos
• desvios oculares
• desinteresse por atividades que exijam atenção
• quedas freqüentes
• aproximar muito o objeto dos olhos para enxergar
• baixo rendimento escolar
Desde pequena
A pequena Rafaele, 3 anos, usa óculos desde 1 ano e 7 meses. Sua mãe, a fisioterapeuta Idalina L. Azevedo Bastos, 32, conta que percebeu, quando a menina tinha 7 meses, que seus olhos às vezes se desalinhavam. Começou, então, a peregrinação por oftalmologistas. “Um recomendou uma cirurgia imediatamente, senão ela ficaria cega. Outro disse que ela já estava cega de um olho. E outro, que ela estava enxergando duplo, por isso não conseguiria pegar nada”, conta a mãe.
A observação atenta da filha fez com que Idalina e o marido, o zootecnista Carlos Henrique Loyola Ponestk, 23, não se conformassem com diagnósticos tão pessimistas. “Nas brincadeiras, eu tampava primeiro um olho, depois o outro, e ela pegava os objetos. E também conseguia pegá-los com os dois olhos abertos.”
Quando finalmente encontraram um diagnóstico que condizia com as experiências que tinham – de que a menina estava enxergando normalmente mas que, com o tempo, se o estrabismo não fosse tratado, passaria a ver duas imagens, o que poderia acabar em cegueira em um dos olhos – o casal iniciou o tratamento. Com 10 meses, Rafaele passou a usar um tampão, cada dia em um dos olhos. Depois, foram os óculos para corrigir a hipermetropia. “Ela fica supertranqüila de óculos, tira só para dormir ou deitar”, conta Idalina. Até os 5 anos, é possível que Rafaele necessite de uma cirurgia, com grande chance de corrigir o problema.
Serviço: Ana Tereza Ramos Moreira (oftalmopediatra), fone (41) 3225-6193 / Beatriz Soter Emmerick (fisioterapeuta, especialista em terapia visual), fone (41) 3015-5826. Sessões a R$ 115 / Ligia Pindanga (oftalmologista, Instituto de Oftalmologia de Curitiba), fone (41) 3322-2020.
Olhar ao longe
Nossos olhos são exigidos hoje de uma forma muito mais intensa do que antigamente. “Somos seres do meio exterior. Na floresta, havia variação de profundidade o tempo todo. Hoje, ficamos em ambientes pequenos, lemos, assistimos tevê, trabalhamos e nos divertimos no computador. Nossos olhos ficam em convergência por muito tempo”, analisa a fisioterapeuta Beatriz Soter Emmerick, especialista em osteopatia, RPG e terapia visual.
A quantidade de tempo que olhamos a mais de seis metros – distância em que os olhos conseguem relaxar – é muito pequena, gerando um desequilíbrio dos seis músculos que movem o globo ocular – que trabalham, inclusive, enquanto dormimos.
Quando a diferença de tensão gerada por essa sobrecarga é pequena, o cérebro consegue alinhar os olhos, explica Beatriz. O problema é que esse esforço extra causa um estresse muito grande, resultando em sintomas como dor de cabeça, diplopia (visão dupla), dificuldade de concentração, enjôo, dislexia (dificuldade de aprendizado).
Através de testes simples de coordenação, a terapia visual diagnostica qual dos músculos dos olhos está sob tensão. “O tratamento é feito através de manobras de relaxamento para os músculos extra oculares e exercícios específicos”, informa a fisioterapeuta. A duração depende do problema do paciente e do seu empenho e compromisso com o tratamento. “Em crianças, normalmente o trabalho é rápido, pois elas têm o problema há menos tempo.”
Cuidados
Sinais de visão binocular no seu filho:
• Reclama de dor de cabeça e enjôo com freqüência, principalmente no final do dia.
• Cobre um olho ou move a cabeça para ler.
• Tem dificuldade de concentração e/ou de aprendizado.
• Inclina a cabeça para enxergar.
• Não consegue escrever em linha reta.
• Quando a criança começa a usar aparelho nos dentes, pode ter um desequilíbrio, já que a parte visual tem relação íntima com a cervical (pescoço) e ATM (articulação temporomandibular).
• Crianças hiperativas sempre têm desequilíbrio.
Prevenção
(essas orientações valem também para os adultos)
(essas orientações valem também para os adultos)
• Não fique por muitas horas lendo, assistindo tevê, jogando videogame ou no computador, sem descansar os olhos.
• Quando estiver pensando, procure olhar para longe ou fechar os olhos. Procure olhar para longe pelo menos de duas em duas horas.
• Quando estiver com os olhos muito cansados, esquente suas mãos esfregando-as uma na outra e coloque uma sobre cada olho em formato de concha, abra seus olhos como se quisesse enxergar o escuro.
• Procure relaxar seu pescoço, alongando ou fazendo uma automassagem nos ombros.
• Uma massagem ao redor dos olhos também pode relaxá-los.
• No caso das crianças, evite que ela desenvolva maus hábitos e incentive as brincadeiras ao ar livre.
• Se a criança usa óculos, fique atento que estejam sempre alinhados, para que não mudem o eixo de visão.
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