Virou moda. Já não há barreira de idade, classe social ou sexo para os adeptos de tatuagens, piercings e, mais recentemente, alargadores. É só prestar atenção para encontrar alguém que já passou dos 50 com a primeira tatoo novinha na pele ou um garoto com cara de tímido e “bom moço” ostentando um piercing na sobrancelha.
Muitos pré-adolescentes e adolescentes, sempre em busca de identificação com o grupo, querem entrar na onda, o que pode resultar em conflitos familiares. Com a cultura e os valores tão modificados, os próprios pais ficam em dúvida entre permitir ou proibir, apoiar ou rechaçar. “Nesses casos é fundamental respeitar os valores do núcleo familiar. Os pais devem mostrar ao adolescente que, além do grupo, ele pertence a uma família com regras e valores”, diz a psicóloga Janaína Caobianco.
Ou seja, não há uma regra estabelecida para esse tipo de comportamento. “Se naquela família piercing é um absurdo, os pais vão ter de questionar a vontade do filho. Por outro lado, precisam compreender os novos valores sociais, saber que hoje essas intervenções não são mais tão condenadas quanto no passado.”
Para a psicóloga, mesmo que a família ache a body art bonita e não veja problemas, deve haver negociação. Por exemplo: em que idade será permitido? “Tudo deve ser avaliado: o tamanho do desenho, o local do corpo onde será feito, qual desenho. Uma estrelinha mínima no pulso é bem diferente de um dragão ou caveira nas costas”, pondera.
Menos preocupantes são as transformações reversíveis, como nas roupas e cabelos. “Mudanças no visual são próprias da idade, já que o jovem está passando por um momento de muitas transformações psíquicas e físicas”, afirma a psicanalista Maria Augusta de Mendonça Guimarães, coordenadora do Núcleo de Estudos da Adolescência da Associação Serpiá. Para ela, o visual é uma forma de expressão do adolescente, por isso ele precisa ter um mínimo de liberdade. “No entanto, os pais devem estar presentes e atentos ao que acontece, tentando buscar muito diálogo e bom senso.”
Diálogo é a palavra-chave. “Os conflitos geracionais fazem parte de toda família, não há como extingui-los, principalmente quando se tem um adolescente em casa. O problema não é existir o conflito, mas sim saber administrá-lo”, lembra a psicanalista.
Érika Busani – erikab@gazetadopovo.com.br
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Serviço: Janaína Cardoso Caobianco (psicóloga e professora do UnicenP), fone (41) 9951-5131 / Maria Augusta de Mendonça Guimarães (psicanalista), fones (41) 3015-2045 e 9615-8282.
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