É só percorrer uns 10 quilômetros da viagem de férias que a ansiedade das crianças sobe a níveis estratosféricos, o que resulta nas famosas e repetitivas perguntas: “Falta muito?”, “Já chegou?”. Se você já passou por isso, não se desespere. Consultamos as educadoras brinquedistas Maria Cristina Pires de Oliveira e Ingrid Fabian Cadore, que sugerem brincadeiras para as crianças não se entediarem na estrada.
COMBINADOS
• A maioria das brincadeiras não tem propósito de competição. Mas, se o grupo aceitar, pode-se ir marcando os pontos de cada participante num papel.
• Toda brincadeira supõe regras a serem seguidas. É bom combinar antes o que vale e o que não vale, evitando que o que era pra ser distração e diversão acabe se tornando mais um motivo de aborrecimento durante a viagem.
• A idéia é que mesmo o “motorista” possa participar da brincadeira (sem perder a atenção na estrada, claro).
• Leve no carro, além de CDs e gibis, um livro de charadas para desafiar as crianças.
Eu vi uma coisa….
(a partir de 2 anos)
• Essa brincadeira é muito simples e eficiente. O adulto diz “Eu vi uma coisa da cor vermelha…” e as crianças vão falando tudo o que estão vendo pela janela do carro dessa cor. Aquele que adivinhar a coisa certa, poderá ser o próximo a lançar o desafio.
• Para crianças maiores, pode-se usar a forma (Eu vi uma coisa retangular…) e, à medida que eles vão tentando adivinhar, pode-se também ir dando pistas sobre onde essa “coisa” está (ao lado, no céu, no morro lá adiante, fora da estrada….).
Associação de idéias
(a partir de 4 anos)
• “Em que você pensa quando a gente fala…”
Praia (barco, areia, banho, caminhada etc)
Anzol (peixe, linha etc)
Balde (roupa, água etc)
Massinha de modelar
(a partir de 4 anos)
• Serve para a criança descarregar tensão, tédio etc. Pode servir para fazer bichinhos, ou só manipular enquanto alguém conta uma história. Ela pode modelar o personagem da história ou de uma música infantil que esteja ouvindo no carro.
Para ficar ainda mais interessante, é possível fazer uma massinha em casa, na véspera:
Massa de sal
Ingredientes
• 2 medidas de trigo
• 2 medidas de sal
• 1 medida de água
Modo de preparo:
Misture o sal e o trigo e acrescente a água para dar o ponto – que deve ser parecido com o de massa podre. Opcional: separe partes da massa e acrescente tinta guache.
Observação: não gruda na mão. Uma toalha de papel é o suficiente para limpar a mão.
Adivinhas
(a partir de 5 anos)
• É possível criar adivinhas na hora:
• “O que é o que é… não é bola mas é de couro?” (casaco);
A pergunta segue entre todos os participantes até que alguém não lembra mais nada. Aí este jogador continua com outra pergunta. Exemplos:
“Não é cavalo mas dá pra montar?” (elefante);
“Não é mel mas é doce?” (açúcar);
“Não é cama mas dá pra dormir?” (sofá);
“Não é sapo mas também é verde?” (gramado, campo de futebol etc);
“Não é pipa mas também consegue voar?” (helicóptero);
“Não é cachorro mas tem quatro pernas?” (cavalo);
“Não é madeira mas dá para queimar?” (carvão);
“Não é abelha mas dá picada?” (marimbondo).
Como termina a história
(a partir de 5 anos)
• O adulto conta o começo de uma história e pede para a criança completar. “Estas histórias são interessantíssimas para a criança expressar suas idéias, sua mundivisão, seus valores, sua criatividade”, diz Ingrid Cadore. Exemplos:
Dona Filomena chega correndo na estação do trem. Embarca afobada e se estatela no banco: “Graças a Deus eu consegui pegar o trem” pensa aliviada. Nisso chega o cobrador: “Bilhetes de Passagem, por favor”. Dona Filomena mostra o tíquete que tem na mão. “A senhora embarcou no trem errado….”
Vovó Nica sai de casa com esforço. Ela queria pegar a lata do lixo vazia, na calçada. Ao erguer a lata ela ouve um ruído esquisito. Ela pára e ergue a tampa com cuidado. No fundo da lata estava… (um bebê, um gato etc). Vovó Nica leva um susto tremendo e deixa cair a tampa. E daí, o que ela faz?
Joana está na quarta série e depois do recreio ela vai ter aula de desenho. Ela esqueceu de comprar uma borracha na papelaria da esquina, perto da escola. Durante o recreio Joana pula o muro da escola e com o dinheiro na mão, atravessa correndo a rua. O que aconteceu?
Outros temas sugeridos: incêndio na mata, aparente roubo na padaria, decepção, fatos inusitados, perigo, medo.
Pares de palavras
(a partir de 5 anos)
O adulto fala palavras e pede para as crianças completarem. Cada um terá sua vez de falar as primeiras palavras.
Gato e… (rato)
Fogo e… (água)
Sol e… (lua)
Papel e… (lápis)
Stop
(a partir de 6 anos)
• Como na brincadeira feita com papel e lápis, sorteia-se uma letra (ou pode-se fazer seguindo a ordem alfabética mesmo) e cada participante terá que falar, na sua vez, o nome de um animal que comece com aquela letra. Em seguida, o nome de uma flor com a mesma letra; depois, de uma cor; de uma cidade; de uma fruta; de uma marca de carro… Pode-se acrescentar outros itens, ou tirar algum, de acordo com a idade das crianças.
Noc, Noc
(a partir de 6 anos)
Essa brincadeira diverte bastante as crianças. Consiste em criar nomes engraçados com rimas, piadas, cacófatos…. Cada hora, é a vez de uma criança “bater à porta” e inventar o nome.
Exemplos:
Alguém diz : “Noc, noc”
Outro responde: “Quem é?”
“É o Pede”
“Pede o quê?”
“Pede Pra Parar”
“Noc, noc”
“Quem é?”
“É o Quiche”
“Quiche o quê?”
“Quicheiro ruim”
Ilha
(a partir de 7 ou 8 anos)
• Para essa brincadeira é necessário que as crianças já tenham alguma noção de associação de idéias, campo semântico… Quanto mais velhos, mais difícil pode ser o desafio.
O adulto diz: “Eu vou pra uma ilha e vou levar…” e completa com uma coisa que queira levar, mas já estabelecendo para si qual é a regra para entrar na ilha: só palavras trissílabas, só palavras que comecem com determinada letra, só coisas elétricas, só o que que se encontra numa cozinha, só o que rime com “ão”, etc… Assim, as crianças vão falando “Eu vou pra uma ilha e vou levar tal coisa” e o adulto vai dizendo se vai poder entrar na ilha ou não. A brincadeira segue até que alguma criança descubra qual a ligação entre o que se pode levar para a ilha. Esse lançará o próximo desafio.
Tem um…
(a partir de 8 anos)
• O desafiante diz “Tem um C pendurado no armário”. Os demais tentam adivinhar o que é (no caso, casaco). Quem adivinhar lança o próximo desafio.
Troca letras
(a partir de 9 anos)
O adulto pergunta: “O que acontece com o vale se a gente trocar o a pelo e?”. Quem acertar a resposta (vela), lança o próximo desafio.
PARA BRINCAR NA PRAIA
Criar uma brincadeira é uma maneira dos pais manterem as crianças por perto, podendo brincar com água mas não necessariamente dentro do mar.
Afundar navios
(a partir de 3 anos)
Material:
• Um recipiente grande e raso para água
• Uma lata de sardinha
Todas crianças procuram pedrinhas ou conchas. Coloque o “navio” para navegar e cada participante, na sua vez, coloca uma pedrinha dentro do navio. Ganha aquele que conseguir afundar o navio. Também se pode jogar com cada criança tendo o seu navio e ganha quem primeiro consegue afundá-lo.
Variação para dias de chuva: amarre no cabo de uma cestinha um barbante e grude a ponta no teto com fita crepe. A cesta deve ficar aproximadamente 1 metro de distância do chão. As crianças colocam as pedrinhas na cesta até que ela caia do teto.
Desenhar com água
(a partir de 4 anos)
Cada criança recebe um regador pequeno com bico fino (dá para usar bisnagas de ketchup). Todos se dirigem a um trecho de asfalto ou calçada onde haja muito sol. Cada um, de acordo com sua fantasia ou temperamento vai “desenhando” com a água. Desenhos coletivos são particularmente interessantes e bonitos. Naturalmente, é necessário um lugar para reabastecer os regadores com água. É permitido usar dedos da mão e dos pés como recurso para criar os desenhos.
Boliche com água
(a partir de 5 anos, menores com adulto apoiando)
Material:
• 1 bola
• garrafas pet pequenas (uma para cada jogador)
• etiquetas, cola colorida ou fitas / barbante
Como jogar
Cada jogador recebe uma garrafa de plástico transparente e a identifica, para reconhecê-la com facilidade, colando nela uma etiqueta com seu nome, ou usando cola colorida. Também pode identificar sua garrafa amarrando no gargalo um pequeno enfeite criado com elementos colhidos na natureza.
Em seguida se enche as garrafas destampadas com água e todas são colocadas em linha horizontal na areia ou grama. É preciso deixar uma bacia com água por perto ou então o jogador corre até o mar.
Todos jogadores ficam atrás de uma linha, a cerca de 3 metros das garrafas. O primeiro jogador pega a bola e tenta derrubar qualquer garrafa de um adversário. O(s) jogador(res) da(s) garrafa(s) que foram derrubadas tentam enchê-las o mais rápido possível e recolocá-las no lugar enquanto o próximo jogador já está jogando a bola. Ganha quem, após 3 rodadas, tiver sua garrafa mais cheia de água. Portanto, atenção e boa mira para não derrubar a própria garrafa!
Serviço: Ingrid Fabian Cadore, fundadora e coordenadora da brinquedoteca da clínica interdisciplinar da Associação Serpiá, fone (41) 3015-2045 / Maria Cristina Pires de Oliveira, educadora e coordenadora da brinquedoteca Clube da Brincadeira da Escola Anjo da Guarda, fone (41) 9944-3231.