Saúde e Bem-Estar

Muita informação e um pouco de confusão

Daniela Neves - danielan@gazetadopovo.com.br
11/10/2009 03:09
O maior acesso a informação, com canais de televisão especialmente produzido para esse público, computador e publicações dirigidas, não necessariamente são coisas positivas para as crianças. “Pesquisas em todo o mundo fazem uma correlação entre o excesso de exposição da criança a informações midiáticas e uma maior tensão psicológica. Hoje há maior incidência de problemas de desenvolvimento do que antes, como hiperatividade e depressão infantil”, diz a doutora em Educação Catarina de Souza Moro, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
A psicóloga Giovana Tessaro diz que a oferta de consumo implica –não só para as criança mas também para os adultos – focar menos na própria vida. “Para ser aceito por um grupo, para ficar bem, a criança precisa de um objeto e deixa de lado seus objetivos de vida. Crianças que vão para esse caminho apresentam problemas de ansiedade porque têm tudo o que querem de material e não encontram limites”, diz a psicóloga.
Ela acredita, porém, que a depressão infantil não é um problema atual, mas, no passado, o preconceito em se enfrentar problemas emocionais escondia o diagnóstico. “Até hoje existe uma visão de que as crianças têm por obrigação serem felizes e que quem têm problemas são os adultos”, diz a psicóloga.
A ansiedade maior das crianças pode ser muitas vezes consequência da falta de espaço para brincar. O quintal de casa, que é frequentemente substituído pelo pátio da escola, deixa a infância de subir em árvores na memória apenas dos pais. “A brincadeira é necessária para a criatividade. O esperado é que as crianças brinquem de casinha, de fazer comidinha no fundo do quintal ou assumam o papel de personagens, heróis. E quando não se tem quintal, o que se faz?”, pergunta, lembrando de uma poesia de Roseana Murray (“Quintal”). “Muitas crianças nun­­­­­­­­ca viram um quintal de verdade, aquele espaço livre”, diz Ca­­­­tarina Moro. Ela indica que sempre que possível os pais possibilitem “quintais” para os fi­­­­­lhos. “Não precisa ser nada inacessível. Nos parques têm árvore, têm morro, onde eles podem de­­­­senvolver a criatividade”, diz.
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No fundo o quintal, amarelinha, esconde-esconde, jogo do anel, um amor e três segredos.
no fundo do quintal, passarinhos, tesouros, piratas e navios, as velas todas armadas.
No fundo do quintal, casinha de boneca, comidinha de folha seca, eu era a mãe, você era o pai,
Quando não existe quintal, como é que se faz?
Roseana Murray