Saúde e Bem-Estar
O maior acesso a informação, com canais de televisão especialmente produzido para esse público, computador e publicações dirigidas, não necessariamente são coisas positivas para as crianças. “Pesquisas em todo o mundo fazem uma correlação entre o excesso de exposição da criança a informações midiáticas e uma maior tensão psicológica. Hoje há maior incidência de problemas de desenvolvimento do que antes, como hiperatividade e depressão infantil”, diz a doutora em Educação Catarina de Souza Moro, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
A psicóloga Giovana Tessaro diz que a oferta de consumo implica –não só para as criança mas também para os adultos – focar menos na própria vida. “Para ser aceito por um grupo, para ficar bem, a criança precisa de um objeto e deixa de lado seus objetivos de vida. Crianças que vão para esse caminho apresentam problemas de ansiedade porque têm tudo o que querem de material e não encontram limites”, diz a psicóloga.
Ela acredita, porém, que a depressão infantil não é um problema atual, mas, no passado, o preconceito em se enfrentar problemas emocionais escondia o diagnóstico. “Até hoje existe uma visão de que as crianças têm por obrigação serem felizes e que quem têm problemas são os adultos”, diz a psicóloga.
A ansiedade maior das crianças pode ser muitas vezes consequência da falta de espaço para brincar. O quintal de casa, que é frequentemente substituído pelo pátio da escola, deixa a infância de subir em árvores na memória apenas dos pais. “A brincadeira é necessária para a criatividade. O esperado é que as crianças brinquem de casinha, de fazer comidinha no fundo do quintal ou assumam o papel de personagens, heróis. E quando não se tem quintal, o que se faz?”, pergunta, lembrando de uma poesia de Roseana Murray (“Quintal”). “Muitas crianças nunca viram um quintal de verdade, aquele espaço livre”, diz Catarina Moro. Ela indica que sempre que possível os pais possibilitem “quintais” para os filhos. “Não precisa ser nada inacessível. Nos parques têm árvore, têm morro, onde eles podem desenvolver a criatividade”, diz.
* * *
No fundo o quintal, amarelinha, esconde-esconde, jogo do anel, um amor e três segredos.
no fundo do quintal, passarinhos, tesouros, piratas e navios, as velas todas armadas.
No fundo do quintal, casinha de boneca, comidinha de folha seca, eu era a mãe, você era o pai,
Quando não existe quintal, como é que se faz?
Roseana Murray
Colunistas
Agenda
Animal


