Saúde e Bem-Estar

Não necessariamente bibelôs

Adriano Justino
20/11/2005 20:17
Ser filho único não é estar fadado a ser uma pessoa frouxa e egoísta pelo excesso de mimos. Tudo depende da educação oferecida pelos pais. “Claro que sempre é positiva a possibilidade de disputar espaço com outros irmãos. Mas, na falta deles, é preciso proporcionar ao filho a oportunidade de “dividir”, de ter de brigar pelas coisas, de esperar. Do contrário, os pais acabam criando os filhos com uma expectativa de mundo que não é real”, afirma Fernanda Bufrem, da Clínica de Terapia da Família. Para auxiliar os pais, a psicoterapeuta Rosa Maria Ferreira de Souza, do Centro de Orientação Familiar, facilita algumas idéias fundamentais na formação dessas crianças.
Os pais devem procurar que o filho tenha contato com outras crianças desde muito pequeno para que não pule fases da infância por só conviver com adultos e não se torne caprichoso. Convidar os amiguinhos para compartilhar seus jogos em casa, para aprender a ganhar, perder, dividir, respeitar a vez do outro.
Um bom aprendizado é ensiná-los a ser generosos com os mais carentes, para que não se fechem em si mesmos e percebam as necessidades dos outros.
Para evitar o isolamento, é bom que eles sejam estimulados a praticar atividades em grupo fora de casa. Assim, eles perdem o medo de lutar pelos seus objetivos.
Com o passar do tempo, os pais podem se sentir culpados por ver o filho solitário e com vontade de ter irmãos. Mas esse sentimento não deve levá-los a querer compensar a falta enchendo a criança de atenções ou de atividades excessivas. O principal perigo está em acabar por atravessar a vida do pequeno e passar a resolver seus problemas. Dessa forma, não permitem ao filho a aprendizagem social e a conquistar a própria independência.