A necessidade de ter tudo agora e a dificuldade em lidar com o outro deveriam ser superadas na idade adulta. Mas não tem sido assim. Isso tem gerado uma grande expectativa em adultos e também nas crianças. Um processo educativo leva 20 anos, não são as três vezes que a mãe falou que o filho vai entender, e nem por isso ele está “doente”.
Sou de uma época em que não se ligava para o pediatra por qualquer coisa, fazíamos o que podíamos. Hoje é comum as mães se sentirem incompetentes na criação de seus filhos. Uma vez me perguntaram qual era a hora certa de tirar a chupeta. Não sei, cada um tem a sua. Não há receita para nada, nem na medicina, nem na educação.
Eu não vejo isso ainda. Começo a perceber algum movimento de ideias, mas que não se transforma em vivência. Vivemos no mundo da diversidade, mas todo mundo parece querer ser igual.
Isso é um terrorismo. A escolha é algo complexo, cansativo e de alta exigência pessoal, porque ninguém gosta só de um modelo. A criança não pensa que ganhou um presente, mas sim que perdeu todos os outros ao escolher.
Acho isso um desrespeito à criança. Antes, sabíamos que iríamos abrir mão de algumas coisas com a maternidade e isso não era um problema. Hoje há tanto mães que tomam posse dos filhos quanto aquelas que às vezes os ignoram. Tirar o bebê de 15 dias de casa para ir ao shopping não é bom para ele. Uma das situações que me incomodam muito é o “mamaço” [evento em que mães levam bebês para amamentar em público].
Uma coisa é lutar pelo direito de amamentar em público. Outra é submeter o bebê a uma passeata pública. A mulher tem o direito a batalhar, mas tem o direito de colocar o bebê junto na batalha?



