Saúde e Bem-Estar

O diálogo substituiu a palmadinha

Adriano Justino
11/10/2009 03:07
Se há 30 anos as palmadas educativas eram não somente aceitas como recomendadas para dar limites aos filhos, hoje são uma atitude proibida por lei em 24 países. No Brasil, um projeto de lei (parado no Congresso Nacional desde 2006) prevê alterações no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no novo Código Civil para estabelecer o direito da criança e do adolescente a não serem submetidos a qualquer forma de punição física. De acordo com o texto, a punição corporal de criança ou adolescente deixará pais, professores ou responsáveis sujeitos a medidas, entre as quais o encaminhamento do infrator a programa oficial ou comunitário de proteção à família, a tratamento psicológico ou psiquiátrico e a cursos ou programas de orientação.
A psicopedagoga Maria Irene Maluf diz que as legislações vieram em função do aumento da violência doméstica contra a criança, tendo como consequência a morte de muitas delas. “São práticas cruéis nas quais foi necessário intervir, olhar de uma forma diferente”, diz a psicopedagoga.
O tapinha podia até funcionar em um primeiro momento, mas nunca foi educativo, diz Maria Irene. “Ele não ensina ao longo do tempo, não modifica comportamento, a criança não muda pelo medo. Pode até alterar o comportamento no mo­­mento, mas volta a cometer o mesmo ato mais tarde.”
Limites
Rígidos demais no passado, liberais demais nos 90, os pais de hoje tentam um equilíbrio entre o diálogo e a autoridade para educar seus filhos. O “va­­­­mos discutir, va­­­­mos avaliar os prós e os contras” substituiu o não, que, segundo os especialistas, não deve ser esquecido. “Mui­­­tas vezes o dizer não é algo positivo. Boa parte dos pais não entende que dar limites é um grande sinal de amor”, diz a psicóloga Giovana Tessaro.
As crianças contemporâneas são mais questionadoras, têm mais acesso a informação. “Não dá mais para os pais, ou a escola, darem respostas simples. É preciso explicar o que é e o que não é, o que pode e o que não pode. Tanto a escola quando os pais não podem se fechar”, diz Rosângela Borba, Coordenadora de Educa­­­ção Infantil das Escolas Positivo.
Nem o não categórico nem chantagens. Na hora do conflito, o importante é saber explicar. “Fazer ele entender os valores. O bom comportamento é uma colaboração, com toda a família tendo o mesmo objetivo”, diz Maria Irene. (DN).
Serviço:
Giovana Tessaro (psicóloga), fone (41) 4101-6344 / Maria Irene Maluf (psicopedagoga), e-mail irenemaluf@uol.com.br.