Saúde e Bem-Estar

O escolhido foi você

Adriano Justino
16/07/2006 23:34
* Não pense em ter mais filhos contando com a ajuda dos mais velhos. “Isso é um grande passo para criar uma relação de inimizade para sempre entre as crianças”, alerta a psicóloga Fernanda Roche. A responsabilidade é sempre dos pais, não pode ser dos irmãos.
* Não tente compensar seus filhos pelas experiências e alegrias dos irmãos – dando presentes para um no aniversário do outro, por exemplo. Ensine, desde cedo, que cada um tem sua cota de atenção, seu momento especial.
* Na mesma linha, cada criança tem suas necessidades. Se o pé de uma cresceu, está na hora de comprar sapato para ela e não para o irmão. “É um equívoco achar que tem de dar tudo igual para os dois para não gerar ciúme”, diz Fernanda. Essas atitudes fazem a criança crescer “cuidando” de tudo o que o outro tem, sempre insatisfeita.
* As crianças vão sentir ciúme, inveja e raiva dos irmãos, o que é natural. O que elas precisam é aprender a lidar com esses sentimentos.
* Na hora dos conflitos, nunca se alie a nenhum dos filhos. Quem tem culpa em uma briga são os dois. Se a coisa “esquentar”, procure afastá-los para conversar separadamente com cada um, fazendo a conciliação. Para Fernanda, não vale dizer “seu irmão é pequeno, não entende”. “Ele entende sim e precisa aprender que cada vez é de um”, afirma.
* Quando a briga é por um brinquedo, ele deve sair de cena até que as crianças se entendam. Às vezes, o par ou ímpar (ou dois ou um, no caso de mais irmãos) é uma boa opção.
* Nunca deixe o mais velho passar o menor para trás – pelo menos quando você estiver presente. O pequeno pode até não entender, mas o outro saberá o que está acontecendo e o pior, com a sua concordância.
* Para a pediatra Tami Kawase Seitz, os pais não devem interferir muito nas brigas – a não ser, claro, que haja violência. “Se os pais interferem, as crianças não passam tudo a limpo, as mágoas vão se acumulando. Quando forem adultos, a relação vai ser mais superficial.”
* Pelo menos até 7 anos, Tami recomenda que os irmãos durmam no mesmo quarto. “Eles brigam de dia, mas de noite precisam dividir o mesmo espaço, respirar o mesmo oxigênio”, diz ela. Fernanda Concorda: “É uma delícia a conversinha da noite, falar mal da mãe, do pai…”
* Cada criança também deve ter seus brinquedos próprios. Aí é um trabalho de convencimento ensiná-la a partilhar, a trocar. Mas nunca force a criança a emprestar suas coisas.