Saúde e Bem-Estar

O poder do bom exemplo

Érika Busani
08/05/2006 01:09
erikab@gazetadopovo.com.br
A fruta nunca cai muito longe do pé. A sabedoria popular lembra o quanto os filhos se parecem com os pais. E se a carga genética tem parte dessa responsabilidade, a maioria das vezes em que se escuta “puxou ao pai” ou “saiu à mãe” se deve mesmo à convivência.
Afinal, é através do exemplo dos pais que as crianças incorporam não só os pequenos hábitos do dia-a-dia, mas também valores importantes como honestidade, solidariedade, tolerância, respeito às diferenças e muitos outros. “A identificação é extremamente importante para a construção da criança como sujeito. Por amor, ela vai conseguindo fazer esse processo para querer ser parecida com a mãe ou com o pai”, diz a psicóloga Fernanda Roche, do Espaço de Desenvolvimento Criança em Foco.
O exemplo é uma arma poderosa para os pais. “A criança aprende muito mais através do que fazemos do que pelo que falamos”, reforça a odontopediatra Liliana Temporão. Nas palestras para gestantes que promove, ela costuma frisar que os hábitos de escovar os dentes e passar fio dental começam por imitação dos pais.
O problema, lembra Fernanda, é que isso vale tanto para o bem quanto para o mal. “Por isso os pais devem prestar muita atenção no que fazem e dizem. A criança está sempre observando e aprendendo.”
Pai de três filhos – Virgínia, 14, os gêmeos João e Elisa, 8 – e padrasto de Gizah, 21, o advogado Vicente Ganter de Moraes conta que João é dessas crianças cheias de tiradas, que estão sempre questionando tudo. “Ontem mesmo ele pediu para comer um lanche e ligamos para pedir. Como o atendimento estava demorando muito, sugeri que fôssemos de carro até a lanchonete. Aí ele respondeu: ‘Não, pai, você não precisa mimar seus filhos.’ A gente sempre conversa que é uma coisa que não se deve fazer”, diverte-se Vicente.
Histórias como essa passam a fazer parte do folclore familiar e servem para os pais encherem-se de orgulho dos filhos. Mas há outro tipo de contradição que os pais devem evitar. “Às vezes as crianças ouvem o que você está falando e aquilo não condiz com o que está fazendo”, lembra Fernanda. É aquela “mentirinha” que o pai não vê problemas – como mandar o filho dizer ao telefone que não está em casa – sendo que esse mesmo pai sempre diz ao filho que não se deve mentir, desrespeitar as pessoas ou as leis – como passar com o sinal fechado.
O melhor, mesmo, é usar conscientemente o exemplo a seu – e do se filho – favor. Não adianta ficar insistindo para que ele leia bastante se você nunca chega perto de um livro.
Serviço: Fernanda Roche (Espaço de Desenvolvimento Criança em Foco), fone (41) 3232-4837, site www.criancaemfoco.com.br / Liliana Temporão (odontopediatra), fone (41) 3335-4388.