“A partir de que idade dá para corrigir a criança? Minha filha joga tudo o que encontra no chão e está com mania de dar tapas nas pessoas.” Cristiane, 23 anos, mãe de Aline, um ano e meio.
Desde pequenas, as crianças já começam a aprender que o que fazem tem consequências. Quando está na cadeirinha, se ela joga a colher no chão, os pais não devem continuar devolvendo a colher depois de ter falado o não. O correto é explicar e, se o objeto for jogado novamente, não devolver mais. No caso do tapinha, não adianta falar não e a criança permanecer no colo. Se ela bateu uma vez, tem que pegar no pulso e falar “não pode, é para fazer carinho”. Se voltar a bater, perde o colo. Vai chorar, mas aprenderá que provocou aquilo.
Içami Tiba, psiquiatra.
“Às vezes não sei o que fazer, durante o castigo ele fica numa boa. Eu já bati e me arrependi, cheguei a chorar sem ele perceber. Cada irmã minha diz uma coisa e minha mãe diz que criou quatro filhos e eu que só tenho um não dou conta.” Eliviane, 25 anos, mãe de Caio, 4.
Cada família é distinta e não dá para apegar-se a fórmulas de como se comportar. Quando fazem isso os pais acabam se afastando de sua capacidade intuitiva. Se há dificuldade em colocar limite na criança desde pequena, isso pode ser um problema do próprio filho, ele pode ser impulsivo demais ou incapaz de lidar com as frustrações. Os pais não são necessariamente culpados pelas dificuldades dos filhos, mas devem potencializar os vínculos e aprender a impor os limites. Há casos em que ajuda externa se faz necessária e um terapeuta pode auxiliar a encontrar o problema e a solução.
Claudio Rotenberg, psicoterapeuta.
“Parece que em algumas situações simplesmente falar ou deixar de castigo não adianta e umas palmadinhas têm maior impacto. Em que situações elas podem ser utilizadas?” João, 35 anos, pai de um casal de gêmeos de 5 anos.
É preciso diferenciar punição corporal e castigo. Geralmente são utilizados como sinônimos de educação e disciplina, mas não são. Os pais não admitem que alguém bata em seus filhos, mas muitos acham que podem dar palmadas, o que é uma incoerência. Não existe “palmada pedagógica” nem quando a criança vai colocar o dedo na tomada. Ela deve ser retirada de lá e o cuidador deve dizer “não pode”. Até os seis anos funciona o “time-out”, castigo que deve ser como uma “consequência lógica”, relacionado com a infração e uma regra estabelecida.
Lidia Weber, psicóloga.