Saúde e Bem-Estar

O que mudou na infância

Daniela Neves - danielan@gazetadopovo.com.br
11/10/2009 03:06
Hoje, em Curitiba, Ronaldo mora com seus filhos, João Pedro, de 9 anos, e Luísa, de 12, em um local com um bom espaço para brincar. Mas a vida deles é bem diferente da infância solta na rua que Ronaldo viveu. Os dois estão sempre monitorados pelos pais e protegidos por muros altos, cerca elétrica e toda a segurança que um condomínio fechado pode oferecer. “Ele não tinha hora para voltar, andava descalço o dia inteiro, quase não ficava em casa. É diferente de hoje”, constata Luísa.
Os irmãos são educados com valores fortes que os pais preservam. O uso de computador é monitorado e eles só podem ficar sozinhos em frente ao monitor nos finais de semana, com tempo limitado. “Não vejo necessidade do uso do computador. Os jogos distraem e é muito melhor que eles corram e brinquem”, diz Ronal­­do. Uma pesquisa realizada pelo canal a cabo Nicke­­lo­­­deon, no entanto, aponta que as crianças brasileiras são usuárias diárias da internet, geralmente para jogar e repassar mensagens eletrônicas.
Relação de troca
Para que as antigas brincadeiras não caiam no esquecimento, a família Baltazar tem sempre à mão bolinhas de gude, dominó e até uma pipa para quando o vento está propício. O que não impede João Pedro e Luísa de gostarem de mp3 – cada um tem o seu aparelho – e de jogos no computador, como a maior parte das crianças de hoje.
Não foram só a rotina e as brincadeiras que mudaram desde que Ronaldo era o menino ativo do interior. O lado bom é que as crianças estão mais autônomas, interessadas, relatam os pais da pesquisa da Nicke­­lo­­­deon. Elas passam mais tempo na escola, mas também dialogam mais com os pais. “Muita coisa que eu aprontava não contava e quando mi­­­­nha mãe des­­­­cobria eu levava umas palmadas. Meus filhos costumam contar, mesmo quando sa­­­bem que fizeram al­­­go errado. Sen­­­tamos, aconselho, dou recomendações, mas é muito me­­­­lhor do que não ficar sabendo”, conta Ronaldo.