Jairo Bouer – Não uso roupas jovens para ficar mais próximo do meu público, é meu estilo mesmo. Sempre estou de tênis, jeans e camiseta. É a roupa que eu uso no dia-a-dia, mesmo no consultório.
É mais um elemento.
Tem outros comunicadores que trabalham em rádio e tevê que conversam muito com os jovens. Talvez a especificidade seja que eu sou um médico, uma pessoa que trabalha mais com a questão de comportamento e de saúde.
O jovem é muito sensível ao que está ouvindo, ao que está vendo. Tem de ser direto, objetivo, não pode tratá-lo como se fosse uma criança, tem de valorizar essa indivualidade e autonomia, evitar o tom paternalista. Tudo isso ajuda você a ter um canal de comunicação melhor com eles.
Hoje o pai que é pai é aquele que demonstra interesse, que está aberto ao diálogo, que consegue ter uma troca afetiva com esse filho, que consegue discutir e negociar limites quando for possível. Ao mesmo tempo, não invade, respeita a autonomia, o crescimento, o processo de individualização, está acompanhando, está presente, fazendo o papel de pai. Esse negócio que pai tem de ser amigo não é verdade: pai é pai, mãe é mãe, tem de ser amigo também, mas tem de estar presente, dar limite, dar suporte e estar do lado, mas de uma maneira muito mais de acompanhar do que de invadir e interferir. E aprender a lidar um pouco com as frustrações, muito naturais dessa relação com os filhos. Esse é o processo natural do jovem, como uma coisa dele, um segredo dele, uma particularidade que não necessariamente ele queira contar.
É difícil você ter uma isenção emocional quando você está lidando com o seu filho. Geralmente é mais fácil para mim, que estou fora de casa, falar sobre essas coisas do que para o pai, que está lidando com essa questão operacionalmente no dia-a-dia. O pai hoje tem de estar atento, perceber melhor essas coisas, porque o jovem é muito precoce, essas questões aparecem na vida dele muito cedo e o pai é uma pessoa que orienta, dá o exemplo, que vai dar suporte. Ele é o primeiro arcabouço emocional, de comportamento, de valor, de ética. É fundamental que essa relação seja clara e que ele esteja o tempo inteiro presente. Agora, ainda é difícil para o pai lidar com essas questões. Todos os meninos da turma estão fumando, será que meu filho vai fumar também?
Acho que esse pai de hoje já é um pai de transição. Pai que hoje tem filho que está na sétima série, tem, em média, uns 45 anos. Há 20 anos ele já pegou um pouco dessa transição toda. Essa geração de pais que hoje têm 30 anos estará mais preparada para essas questões, pois já pegou mais essas transformações.
As transformações sociais dos últimos 20 anos tendem a se manter. A precocidade do contato com a questão sexual, o comportamento dos jovens hoje muito consumista, muito individualista, muito preocupados com a questão da imagem corporal. A gente tem de aprender a lidar com isso.


