Raíssa, aos 9 anos, é capaz de dar uma aula sobre a desconhecida fibrose cística. “É um problema nas glândulas. Tenho de cuidar sempre, não posso pegar gripe e as pessoas ficam o tempo todo me lembrando da necessidade de tomar enzimas. E não precisa ficar com medo de pegar, é uma doença que você já nasce com ela, não é contagiosa”, dispara, despreocupada.
Só os pais sabem o sacrifício escondido nos bastidores para assegurar a base de segurança da filha. “Tivemos um choque ao saber com o teste do pezinho, logo após o nascimento dela. Nem sabíamos da existência dessa doença e que pode ser fatal. Felizmente tive o apoio de especialistas e amigos que se dispuseram a nos ajudar e a ensinar a lidar com isso”, conta o revendedor Laércio Estefano Buckener, 35 anos, pai de Raíssa.
A mãe, Rivaísa de Oliveira Buckener, 30 anos, procurou outras mulheres com a mesma história para encontrar consolo e saber como agir. “Contaram-me das pneumonias freqüentes, das muitas hospitalizações, mas, que pela precocidade do diagnóstico, o tratamento teria melhores resultados. A qualquer suor frio, sinal de infecção, teria de sair correndo para o hospital. Pensando nela, passamos por cima do desespero do começo e começamos a recorrer aos recursos disponíveis”, lembra.
Raíssa faz atualmente dois tipos de inalação, fisioterapia, exame de muco a cada dois meses e deslocamento imediato ao hospital caso apareça alguma secreção diferente ou a tosse se intensifique. “Cada vez que olho para ela fico contente. Não há cura, mas controle. Para quem tem um filho nessas condições aconselho a lutar contra o medo e buscar soluções que permitam às crianças uma vida normal. Elas têm muito mais do que a doença e são capazes de chegar longe.”
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