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Simone e Pedro acham que precisam ser sinceros quando conversam com os filhos Guilherme e Gustavo sobre drogas.
A atriz Kate Hudson (Quase Famosos) – filha da também atriz Goldie Hawn – ouviu certa vez do padrasto Kurt Russell que as drogas eram gostosas, por isso tão perigosas. Como abordar o tema com adolescentes é sempre um dilema, seja na casa de celebridades hollywoodianas, seja num lar de pessoas “comuns”.
As campanhas anti-drogas estão por toda parte. Algumas mostram com otimismo as vantagens de se dizer “não”. Outras são mais dramáticas, exaltam os males que essas substâncias podem causar para a saúde e a sociedade. Resta saber se estas mensagens são de fato compreendidas e aceitas pelas crianças e adolescentes.
Com certeza, confiar apenas nas campanhas sociais, por mais impactantes que sejam, não é o suficiente. Os pais não podem deixar de falar sobre o assunto em casa, ainda que seja difícil encontrar o tom certo. Mas como falar sobre este assunto, tão presente e polêmico? Amedrontar, mexer com a vaidade, ou simplesmente ser sincero?
De acordo com a psicóloga Ana Paola Lopes Lubi, em primeiro lugar, é necessário certificar-se de que existe um vínculo de confiança entre pais e filhos. “Quando a adolescência chega, colhe-se muito do que foi plantado na infância. Se eu, como mãe, aprendi a conversar com meu filho sobre diversos assuntos, sempre coloquei limites e estive presente em sua vida, drogas será só mais um dos diversos assuntos que serão conversados”, explica.
Para os especialistas, o melhor caminho é sempre o da verdade, mas é preciso ser firme. “A família deve deixar claro que desaprova o consumo de drogas, informando os filhos sobre o perigo do uso de cada substância e o prazer efêmero que elas proporcionam. É preciso impor limites sem emitir sinais de tolerância e estabelecer regras claras. É importante também aproveitar esta época em que os jovens dão importância à imagem social e a sua aparência para ressaltar o ganho positivo de um viver sem drogas”, afirma a psicóloga Janaína Trierweiler, da Comunidade Terapêutica Dia, que trata de dependentes químicos.
Uma das maiores dificuldades dos pais em ter essa discussão com os filhos é a falta de informação. Trierweiler sugere que se busque explicações e exemplos em reportagens e palestras sobre o assunto. Também é interessante consultar profissionais da área. “Como as crianças e adolescentes passam hoje grande parte do seu tempo na escola, os pais devem procurar locais de ensino que tenham propostas claras sobre o uso e o abuso de drogas e álcool. É de suma importância saberem o que a instituição passa como instrução sobre esta questão”.
No Colégio Marista Paranaense, onde estudam os irmãos Guilherme e Gustavo Perotta, de 13 e 16 anos, a questão é lembrada com freqüência em sala de aula e durante as atividades da Pastoral, grupo de jovens da qual participam. “Temos reuniões semanais e conversamos muito sobre drogas, sexualidade e valores. Estamos muito bem informados”, afirmam.
Em casa, o tema também é discutido sempre que necessário. A mãe dos meninos, Simone Marie, 47 anos, é enfermeira especializada em dependência química, e o pai, Pedro, 48 anos, é médico de família.
Simone convive diariamente com o sofrimento dos dependentes químicos, mas mesmo assim, procura não apelar para as suas experiências para falar sobre o assunto. “Acho que assustar não é a melhor forma de conscientizá-los. Procuramos dar conselhos e orientações sobre a escolha dos amigos, como identificar o comportamento de um usuário, como se proteger de situações perigosas”, explica.
O monitoramento também é uma importante forma de prevenção. “É preciso admitir que seu filho, como qualquer outro adolescente, está vulnerável e corre riscos. Além de sempre fornecer informações verdadeiras sobre o assunto, procure saber onde seu filho gasta o dinheiro que você dá para ele, mas tome cuidado para não interferir em sua privacidade. Saiba com quem ele convive e peça que leve os amigos para conhecê-los”, sugere Janaína Trierweiler. Simone e Pedro seguem à risca esta recomendação. “Usamos muito os combinados. Eles sabem que têm horário para sair e para chegar. Acredito também que o envolvimento deles em atividades como música e esportes é muito benéfico”, acrescenta o pai.