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Se em casa o espírito da Páscoa nem sempre é vivido e lembrado, o que ocorre nas escolas das mais diferentes linhas? Será que as católicas enfatizam o sentido religioso da data? Se não o fazem, estão fugindo ao seu papel?
Em tempos de respeito às diversidades, não cabe mais a velha fórmula doutrinante de uma única visão religiosa. O proselitismo – entendido como uma espécie de lavagem cerebral – é, inclusive, vetado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que assegura o “respeito à diversidade cultural e religiosa do Brasil”.
“As aulas de Ensino Religioso são ministradas por um estudioso das religiões, que trabalha as questões históricas, as visões das diferentes religiões como informação. O aluno deve saber o que está acontecendo, não entrando no mérito da fé ou prática religiosa, mas com uma visão crítica”, afirma o diretor educacional do Colégio Marista Santa Maria, Ascânio João (Chico) Sedrez. Na Páscoa deste ano, ele conta que, inspirados na experiência de transformação de Cristo, a escola vai usar um barco como símbolo de passagem. “Será um convite a todos de entrarem no barco de suas vidas e fazer a transformação”, diz. Para os alunos que querem se aprofundar na religião católica, o colégio oferece a Pastoral, em horários alternativos, com grupos de reflexão e catequese.
No Centro Integrado de Educação Sagrado Coração (Ciesc) Madre Clélia, os alunos convivem com a Páscoa durante toda a Quaresma. “É um tempo intenso, que nos prepara para a Páscoa. Inserimos a questão da tolerância, do respeito. Também trabalhamos a Campanha da Fraternidade, que este ano é sobre as pessoas com deficiência”, explica a irmã Maria do Socorro, diretora da escola. Uma exposição conta ainda, dia a dia, a última semana de Cristo. Os pequenos têm a fantasia do coelhinho mantida – “você não pode queimar etapas”. A mensagem é de que a Páscoa é “um tempo de olharmos para dentro de nós mesmos, de amor, perdão e paz. A confissão é facultativa, mas os alunos costumam aderir. Desde o dia 27, são três padres pela manhã e mais três à tarde atendendo aos alunos. Nas aulas de Ensino Religioso, todas as religiões são abordadas, mas “temos de manter nossa identidade enquanto escola confessional católica”, diz a irmã.
Já nas escolas que não têm caráter religioso, a data é aproveitada para repassar valores. A diretora do Colégio Novo Ateneu, Vera Julião, diz que a maior ênfase este ano estará na solidariedade. “Procuramos recuperar o sentido de religiosidade da Páscoa, em seus símbolos de virtudes e valores humanos.” Para os menores, coelhinhos e ovinhos.
Na Escola Lumen, a primeria preocupação é não incentivar o consumismo, conforme a diretora Priscila Magalhães. “Valorizamos muito o lado da imaginação, pois é importante para a criança acreditar no simbolismo.” Há contação de histórias sobre a data, que é usada também na alfabetização – “as crianças têm muita vontade de escrever para o coelho”. As crianças maiores aprendem o que a Páscoa quer dizer para diferentes religiões, como é comemorada em diversos países e o que significa a simbologia. “Também tem o lado filosófico, de discutir o que quer dizer a renovação, superar os problemas através das dificuldades”, completa Priscila.
Nas escolas de pedagogia Waldorf, a mensagem da Páscoa é de transformação. Vários símbolos são usados para isso, segundo a professora Mônika Lustosa, da Escola Turmalina. O principal deles é a borboleta. “Quando a criança vivencia o processo de transformação da lagarta, internamente ela vai aprendendo a possibilidade de transformação.” Os alunos também fazem velas com cera de abelha – “é algo que se consome para iluminar, numa mensagem de altruísmo” – e pintam ovos. O coelho, em uma dimensão menor, faz parte da festa, mas ovos de chocolate não entram – já que a alimentação é toda natural. “Vivemos em meio a tantos ruídos. A Páscoa deveria ser um tempo de ficar em casa, estar junto da família, vivenciar com mais tranqüilidade esse momento e ter paz interior”, conclui.
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