Como o próprio nome explica, a garotada está cada vez mais apta a consumir diferentes meios como fontes de comunicação e de entretenimento. O estudo, que contou com 7 mil usuários do site do canal, mostrou que tudo é uma questão de adaptação: crianças de 9 anos usam eletrônicos, mas não manipulam vários ao mesmo tempo; já aos 14 anos, o jovem interage com tudo com muita habilidade. “A questão de adaptação é normal e acontece com os adultos também. Eu mesma era daquelas que só conseguia escrever se estivesse isolada. Agora, consigo falar ao telefone, orientar um aluno por MSN e ouvir música ao mesmo tempo. Preciso de movimento para que a minha criatividade venha”, diz Glaucia da Silva Pinto, pesquisadora em tecnologia de comunicação e professora de comunicação social da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Na opinião dela, os adolescentes vivem num momento privilegiado, pois crescem na sociedade da informação e tecnologia. “Não vejo prejuízos, pelo contrário, o jovem fica mais ligado, mais rápido”, afirma.
Ana Flávia Machado, 16 anos, se diz totalmente dependente de seu aparato eletrônico. “Não consigo ficar sem nenhum dos meus aparelhos. Agora que tenho um notebook, pedi para meus pais para eu poder ficar no MSN e assistir à televisão. Isso, claro, com o celular do lado e o iPod no ouvido. Assim eu posso falar com dez pessoas ao mesmo tempo, sobre assuntos diferentes. E isso não me atrapalha em nada, consigo prestar atenção em tudo e ainda estudo”, afirma a garota.
Junto com Ana Flávia há uma multidão feminina conectada – 46% das meninas usam o MSN todos os dias e 22% passam de uma a duas horas conversando pelo meio on-line.
Carolina Sartorio Escanellas, 13, é adepta das muitas tecnologias, mas – diferentemente da garotada da sua idade – não é uma “multitarefa”. “Adoro MP4, televisão, computador, rádio… Mas uso cada hora uma coisa e quando vou estudar deixo tudo desligado. Não tem como prestar atenção em tudo ao mesmo tempo, você acaba não fazendo nem uma coisa nem outra”, diz. A menina diz usar a tecnologia em prol da sua formação intelectual. “Gosto de pegar filmes históricos e aproveitar aquele tempo em frente à tevê para aprender. Também uso o computador para fazer pesquisas e estudar, só depois que eu termino vou para o msn ou orkut.”
Relações descartáveis
De acordo com a psicóloga comportamental Cynthia Borges de Moura, professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a geração multitarefa desenvolve capacidade de raciocínio rápido, pensamento lógico e destreza. Mas nem tudo são flores. “Por conta das muitas possibilidades, essa geração não se aprofunda nas coisas, acha que tudo é descartável – se não serve mais troca, joga fora, substitui. Esse padrão pode passar para os relacionamentos: não atendeu minhas expectativas, troca”, aponta. Ela aponta dois outros problemas: o distanciamento dos relacionamentos reais e as distorções de linguagem escrita. “Os adolescentes não sabem mais escrever, pois distorcem a língua nas comunicações virtuais.”
Mas e aquela supervantagem de falar com muita gente ao mesmo tempo? “Até um certo ponto é possível prestar atenção em tudo. O problema é a retenção de informações que fica comprometida porque o tempo de contato com a estimulação é muito curto para que a informação passe da memória recente para memória de longo prazo e a aprendizagem ocorra de forma consistente”, explica a especialista.
Para a pesquisadora Glaucia da Silva Pinto, a dica para os pais é vigiar para que não haja exagero e para que a “vida real” não escape da rotina do filho. “Se o uso está descontrolado, é preciso impor limites e regras. Os pais e a escola tem de ajudar nesse monitoramento e, para isso, precisam estar inseridos nesse mundo tecnológico. Senão fica impossível fazer um controle”, explica.
Colunistas
Agenda
Animal


