Saúde e Bem-Estar

Por que algumas crianças dormem mal?

Adriano Justino
17/04/2006 02:23
Segundo os especialistas há vários fatores que podem alterar o sono, da fome nos bebês, passando por episódios que acontecem durante o dia dos mais velhos – como uma briga na escola – à quebra da rotina, como a viagem dos pais. Geralmente, os distúrbios de sono tendem a desaparecer por si só. “Os pais devem evitar situações estressantes à noite para que a criança durma melhor”, orienta a psiquiatra Gisele Minhoto.
Ausências e outros temores – Os pais devem estar atentos a coisas que parecem banais, mas que são significativas para os pequenos e podem alterar seu padrão de sono. A pediatra Tamy Seitz enumera: viagem de um dos pais; mudança de escola, professora ou babá; brigas ou mau relacionamento entre os pais e até o temor de cair da cama. “A cama da criança tem de ser baixa, na altura do joelho dela”, diz Tamy. No caso de viagens, ela recomenda que, principalmente a mãe deixe uma peça de roupa com seu cheiro para a criança. A pediatra incentiva os pais a manterem um colchão no chão no quarto dos filhos para se deitar e contar histórias na hora de dormir. “Assim, a criança dorme com o cheiro e a voz da mãe.” Dormir no mesmo quarto com um irmão também ajuda a criança se sentir segura.
Medo de dormir – “A partir dos dois anos e meio, 3 anos a criança entra no mundo do racional. Fica com medo de que os pais morram ou vão embora”, explica a pediatra homeopata Tamy Seitz. Conforme ela, nessas horas, o mais importante é acolher a criança e ficar junto dela até que se sinta segura.
Televisão e computador – Médicos e psicólogos não recomendam que crianças pequenas tenham tevê no quarto. Segundo Tamy, a programação da tevê, por causa das sucessivas interrupções, não é indicada à noite. “Podem ficar imagens na cabeça da criança que atrapalham o sono”, complementa a psicóloga comportamental Alessandra Frendrich. Tarefas escolares e outras atividades excitantes devem ser reservadas para o dia. Mesmo crianças maiores devem ter limite de horários na frente dos aparelhos. “Muitos adolescentes passam horas que poderiam estar dormindo na frente da tevê ou do computador”, diz Gisele Minhoto.
Refeições – segundo a especialista em sono Gisele Minhoto, as crianças são menos afetadas com os efeitos da cafeína contida em algumas bebidas, mas o melhor é não abusar de chás, café e refrigerantes à noite. “O chocolate também tem cafeína e segue a mesma regra”, diz ela. O ideal é que as refeições sejam leves. “Procure não dar o jantar muito tarde para que ela não vá para a cama de barriga cheia”, acrescenta a psicóloga comportamental Alessandra Frendrich.
Horários e regras – atualmente, como a maioria dos pais trabalha fora, é comum que a criança queira ir dormir mais tarde para aproveitar ao máximo da companhia deles. Para estabelecer bons hábitos de sono “é importante estabelecer normas e ser coerente com elas”, incentiva a psicóloga Alessandra Frendrich. Os pais devem aproveitar a capacidade de adaptação da criança e estipular um horário para ela ir dormir e se esforçar para cumpri-lo.
Tempo de sono – até os 6 anos, as crianças devem dormir entre dez e onze horas por noite, sem contar as sonecas vespertinas. Na adolescência, o número de horas cai, ficando entre sete horas e meia a oito e meia.
Fontes: Gisele Minhoto (especialista em sono) / Tamy Seitz (pediatra homeopata) / Alessandra Frendrich (psicóloga comportamental), fone (41) 9938-4092.