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A agilidade mental é inegável nas crianças de hoje. Elas argumentam, respondem, surpreendem pais e avós com sua esperteza. Tevê, computador e videogame ampliaram as possibilidades e a quantidade de informação. Se trouxeram um ganho, por outro lado, deixaram os pequenos mais sedentários, com a coordenação motora prejudicada. “A criança tem de ser estimulada à prática de esportes. Ela pode começar a participar desde cedo, de forma recreativa. É interessante fazer com que ela goste, assim vai praticar para o resto da vida com prazer”, afirma Sérgio Dal-Ri, professor do curso de Educação Física da PUCPR.
Alguns pesquisadores já demonstraram que abaixo dos 6 anos, a iniciação esportiva deve ser dada apenas como brincadeira, sem disciplina, conforme a pediatra Eliane Mara Pereira Maluf, presidente da Sociedade Paranaense de Pediatria. “A idade certa para começar não é tão definida. Em geral, é quando a criança começa a entender as regras e consegue segui-las. Mas é possível começar antes, sem compromisso, para identificar habilidades e gostos de cada uma”, diz.
O que muitas vezes acontece nas famílias é a pressão dos pais, que querem ter um filho campeão. A atitude dos pais pode causar um trauma na criança. “Nunca a atividade esportiva deve envolver pressão e estresse, para não causar ansiedade, queda na auto-estima e até grandes traumas. Ela deve ser realizada com prazer, sempre pelo lado lúdico”, afirma a pediatra. A criança precisa ser livre para mudar de atividade caso não se identifique com a primeira.
Dal-Ri destaca também a importância do profissional nesse processo. “Ele deve sempre estimular o lado positivo. Palavras negativas podem bloquear a criança, já o estímulo verbal melhora o ego e dá auto-estima.”
Por isso, antes de matricular o filho em qualquer atividade, os pais devem assistir a uma aula para ver a didática do profissional. “Já vi aulas em que a criança fica de castigo por não obedecer. Isso não pode acontecer”, enfatiza. Para ele, até os 10 anos, a parte lúdica deve ser mais enfatizada que qualquer outra.
Dentro dos limites e coordenação física de cada um, o esporte sempre é saudável. Traz benefícios para a coordenação motora, a socialização, o desenvolvimento da musculatura, preenche um tempo que poderia ser utilizado com atividades nocivas. Falando em tempo, é preciso dedicá-lo à criança. “Esportes e outras atividades não podem substituir a função dos pais”, diz Eliane Maluf. A7tenção e carinho são fundamentais.
Serviço: Eliane Mara Pereira Maluf (pediatra), fone (41) 3225-3511 / Sérgio Dal-Ri (educador físico), e-mail sergio.dalri@pucpr.br
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