Saúde e Bem-Estar

Problema de menino

Érika Busani
28/08/2006 01:52
erikab@gazetadopovo.com.br
Quando nasce um menino, vem logo alguém recomendar à mãe a tal “massagem” contra a fimose. Indicada por muito tempo pelos próprios pediatras, hoje os especialistas reprovam a prática. “É uma cultura antiga. Como a maioria das crianças tem apenas aderência de prepúcio, que acaba abrindo, passou-se a acreditar que funcionava”, informa o cirurgião pediátrico Antonio Carlos Moreira Amarante, professor de Urologia no Hospital Evangélico.
Ele explica que há muita confusão em relação ao que seja a fimose verdadeira. “É um estreitamento do prepúcio, formando um anel que impede a exposição da glande. Confunde-se o prepúcio aderido, sem a presença do anel, com fimose.” Essa aderência é normal nos recém-nascidos e regride em 90% dos casos até os três anos de idade. Com ou sem massagem.
O pior é que a prática pode ter efeito contrário. “Pode fazer estrias na pele, o que resulta em pequenas cicatrizes. E a tendência das cicatrizes é reduzir tecidos”, diz Amarante. E aí, quem não tinha fimose, passa a ter.
“A massagem é um trauma para a criança, pode causar infecção e resultar em fimose”, reforça o cirurgião pediátrico Sylvio Avilla, do Hospital Pequeno Príncipe. Ele diz que muitas mães querem abrir o prepúcio para limpeza, tirando a secreção esbranquiçada ali presente. “Se não estiver aberto ainda, não precisa. É mais ou menos como tentar tirar toda a cera do ouvido. Se a criança deixar abrir e limpar, tudo bem. Mas é uma secreção natural, não tem problema deixar.” Claro que é preciso ter boa higiene, mas com cuidado para não machucar a criança.
São duas as causas da fimose. A mais comum é a congênita. A outra, por processos infecciosos repetitivos. E aí mora outra preocupação dos pais: quando o pintinho da criança incha. “É infecção, causada por bactéria, trauma ou descolamento da pele.” E a culpa não é da fimose: “Tanto faz ter ou não”, garante o médico.

Cirurgia
Os casos de fimose verdadeira requerem cirurgia e, mais recentemente, uma pesquisa demonstrou a eficácia de uma pomada (veja matéria ao lado).
Quando não há infecções freqüentes do pênis, os médicos costumam esperar a retirada das fraldas, para reduzir o risco de infecções no pós-operatório. “O ideal é operar com 2 ou 3 anos, porque é muito mais fácil, menos traumático e menos doloroso”, diz Avilla. “O que dói na recuperação são as ereções. Nos meninos pequenos, elas são fisiológicas, quando maiores, há erotização”, completa.
Para Amarante, se não há problemas, é melhor esperar até os 4, quando há um pico de testosterona que pode ajudar no descolamento.