Saúde e Bem-Estar

Quando vira doença

Adriano Justino
14/01/2007 22:56
Saltar nas pedras brancas da calçada e evitar sequer esbarrar nas pretas é brincadeira de criança. Mas se o seu filho passa mais de uma hora aflito por estar rodeado de pedras escuras e não ter para onde ir, preste atenção, ele pode ser um candidato a uma versão infantil de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo). De acordo com Luiz Gonzaga Leite, coordenador do Departamento de Psicologia do Hospital Santa Paula, em São Paulo, as idéias obsessivas na infância têm normalmente como foco a contaminação ou germes, seguido pelo medo de alguma coisa de mal que possa acontecer para si ou para familiares, moralização ou religiosidade excessivas, incluindo pensamentos em pecados. As compulsões incluem rituais para andar (não pisar aqui e ali), lavagem excessiva, repetição, checagem, tocar, contar e ordenar. Os rituais de lavagem (mãos, banho, escovação) chegam a ocorrer em uma freqüência de 85% das crianças com TOC. Com o passar do tempo a sintomatologia do TOC infantil pode mudar.
O distúrbio, segundo ele, surge por volta dos 7 anos, com tiques motores simples, como piscadelas. Aos 11 anos, em média, a criança apresenta vocalizações, como pigarro, fungadelas, tosse e exclamações coloquiais, entre outras. Dois terços dos pacientes melhoram total ou parcialmente do transtorno, mas o restante mantém o problema na vida adulta.
Ao sinal de uma repetição excessiva ou de situações constrangedoras, a dica da psicóloga Tatiana Centurion é que se fale com o pediatra e se busque acompanhamento psicológico ou psiquiátrico. O tratamento é realizado através de psicoterapia e de medicação.