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Em uma viagem ao exterior, Edoarda, de 7 anos, escolheu seu prato no cardápio em inglês, conversou com desenvoltura e aproveitou para corrigir a pronúncia da orgulhosa mãe. “A pronúncia dela é perfeita, muito melhor que a minha”, derrete-se Andréa Mello Trombini, 35.
A opção por uma escola internacional para matricular a filha veio do desejo que ela aprendesse inglês. “Todo mundo tem de saber, é importante para o futuro”, opina. A menina estuda lá há um ano e meio e no início estranhou um pouco, tinha medo de falar errado e não entender as aulas. No primeiro ano, Edoarda teve o acompanhamento constante de uma professora. Hoje, quando Andréa a lembra de seu temor inicial e diz “você está falando melhor que eu”, a menina fica feliz e orgulhosa.
A facilidade das crianças no aprendizado de línguas explica-se. O bebê nasce pronto para aprender qualquer idioma. “Ele tem o domínio de qualquer som. À medida em que se especializa em uma língua, vai abandonando os outros sons. Pesquisas feitas por lingüistas confirmam que essa capacidade vai diminuindo gradativamente e, após os 12 anos de idade, só se aprende com sotaque”, diz a psicopedagoga Úrsula Mariane Simons, professora da Universidade Tuiuti do Paraná.
Além da pronúncia perfeita, aprender outra língua na infância é mais fácil. “Uma criança que muda para outro país, no prazo máximo de seis meses tem domínio total do idioma estrangeiro. O adulto, nesse mesmo prazo, apenas ‘arranha’.”
A maneira mais natural e fácil de aprender mais de um idioma é ter a sorte de nascer em um lar bilíngüe. “Ela vai começar falando errado, de forma infantil e depois vai corrigindo os erros naturalmente”, diz o professor da pós-graduação em Aprendizagem de Língua Estrangeira Moderna do Cefet, Egídio José Romanelli, pós-doutor em neuropsicologia. Para ele, essa é a situação ideal. “Todo casal que tenha essa possibilidade, deve aproveitar, a criança vai aprender sem esforço.”
Quando a situação não é essa, Romanelli indica o aprendizado o mais cedo possível. Mas alerta: tudo deve ser feito na base da brincadeira. “Ninguém aprende quando se cria uma obrigação. O cérebro é brincalhão.”
O erro nesse caminho, para Úrsula, é querer formalizar, ensinando gramática, ortografia. “Isso é engessar essa língua, a criança fica estressada. O ideal é brincar no idioma que se quer ensinar”, adverte. Por isso, os pais devem observar que método a escola usa. “O lugar de ensino precisa ser lúdico e não seguir uma norma estruturada. Nenhuma criança fica estressada brincando”, lembra. Transformar esse aprendizado em obrigação só assusta e intimida a criança.
Outro cuidado que os pais devem ter é observar a habilidade do professor. “Se ele corrigir muito os erros, fica chato. E o vocabulário tem de ser adequado à idade. Não adianta ler Shakespeare para uma criança de dois anos”, afirma Romanelli. E, se a idéia é um aprendizado perfeito, quem ensina não pode ter sotaque.
O professor Romanelli ainda destaca um benefício extra: “A língua ocupa todas as áreas do cérebro. É uma ganho sensacional, desenvolve habilidades cerebrais que não têm preço. Comparando com o corpo, é como fazer ginástica olímpica desde pequeno.”
Bilíngüe
É cada vez mais comum o ensino bilíngüe nas escolas. Além das internacionais tradicionais, escolinhas investem na imersão em inglês para alunos cada vez mais novos. “Não vemos o inglês como matéria, mas como forma de comunicação”, diferencia a pedagoga Kelly Thomé, diretora da Little Kids, que atende crianças a partir de um ano de idade. Lá, só se fala português na aula específica, o restante da rotina é em inglês. A alfabetização ocorre gradualmente, tanto em português como em inglês.
Serviço: Egídio José Romanelli (doutor em psicofisiologia e pós-doutor em neuropsicologia), e-mail egidio@romanelli.net / Úrsula Simons (psicóloga e psicopedagoga), fone (41) 3338-8223 / Little Kids (escola bilíngüe), fone (41) 3253-3030.
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