Pai participativo gera filhos que se dão bem na escola e com menos propensão à depressão e à delinquência. Essa conclusão faz parte do levantamento O Estado dos Pais do Mundo da campanha MenCare, que analisou pesquisas de diversos países sobre o tema. Para Mariana Azevedo, coordenadora do Instituto Papai, a inclusão dos homens tem impacto positivo na família e na sociedade. “Quando a divisão de obrigações é mais igualitária, as mulheres ficam menos sobrecarregadas e ambos relatam uma satisfação maior no casamento”, diz. Ela ressalva que a pesquisa não indica que crianças criadas sem o pai são prejudicadas.
Segundo a cientista social, a participação paterna na criação vem aumentando, mesmo que lentamente. Além de uma transformação social, de aceitar o homem como cuidador, medidas institucionais são necessárias para inserir o pai desde antes do nascimento. Exemplo disso é a ideia de se aumentar a licença paternidade, que tem apenas cinco dias no Brasil, e a flexibilidade da agenda masculina no trabalho para que ele possa acompanhar o pré-natal.
Pai que “ajuda”?
A participação maior dos pais na criação dos filhos não passa de uma obrigação, e não é uma atitude que deva ser endeusada, diz a blogueira que se autointitula Mari “Mãe Onça”, do blog Mãe Onça. Um post dela sobre isso recentemente ultrapassou a marca de 15 mil compartilhamentos, onde ela se diz contra o “endeusamento” de pais que ajudam vez ou outra e defende uma divisão meio-a-meio das tarefas. “Muitas mães se sentem sobrecarregadas e acham isso normal. De repente, alguém deu voz a elas dizendo que não, o pai do seu filho pode e deve fazer mais e você nem precisa agradecer de joelhos por isso”, diz ela.
Mariana afirma que estudos revelam que mulheres e homens concordam que o cuidado com a criança deveria ser dividido igualmente, mas que a prática ainda não acompanha o discurso. “A ajuda do homem ainda é vista como algo fantástico”, opina.
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