Saúde e Bem-Estar

Resolvendo dilemas

Adriano Justino
16/10/2005 22:19
Intimamente ligado ao consumismo está o imediatismo. Para a terapeuta familiar Virgínia Alice Fernandes de Oliveira, aprender e crescer são processos que demandam tempo. “O ser humano se desenvolve a partir das crises, das necessidades que vão aparecendo a partir do que já foi resolvido. As pes soas enfocam isso só como algo ruim, às vezes perdem a noção de que crescer angustia. Assim, procuram resolver alguns dilemas de forma mais superficial e rápida.” Aí que entra o consumismo, a necessidade do ter em detrimento do ser.
A psicóloga alerta que a exigência hoje vai além do só material. “É um ‘saco sem fundo’: a nota 10, o corpo mais perfeito, o menor número de rugas possível, saber tudo.” E, claro, a postura do adulto reflete nas crianças. O imediatismo também faz os pais dizerem sim para ter menos trabalho, não enfrentar choros e pedidos repetidos. “A gente precisa ter domínio sobre a nossa consciência. Se criarmos a imagem de que o externo é importante, não há bem material que vá suprir as necessidades”, afirma o juiz trabalhista Sérgio Murilo Rodrigues Lemos, 43 anos, pai de Mariana, 14, e Felipe, 12. Ele conta que utiliza exemplos claros para ajudar que as crianças identifiquem o que é realmente necessário. “Falo para eles que existe uma coisa que nos empurram que é a marca. Uma calça serve para usar no dia-a-dia, a diferença entre o preço de uma boa calça sem marca e outra é exagero e vaidade.”
Sérgio procura mostrar o conceito de custo/benefício aos filhos. “Mas não sou xiita de privá-los de um luxo de vez em quando.” Há algum tempo, Mariana e Felipe passaram a gerir o próprio dinheiro. “Isso deu a eles a sensação de que o dinheiro custa caro.” Quando a filha quis um celular mais caro, o pai ofereceu pagar o valor de um que achava razoável. A diferença, ou o que ele chama de “exagero”, sairia do dinheiro dela. Mariana acabou comprando o telefone, mas ficou duas semanas pensando. “Meu objetivo foi atingido. Seria impulsivo se ela decidisse imediatamente.” (EB)
Serviço: Tatiana de Souza Centurion (psicóloga), fone 3252-9505 / Virgínia Alice Fernandes de Oliveira (psicóloga), fone 3363-1500. Leia no próximo domingo a última reportagem da série do mês da criança sobre a infância sedendária.